São Paulo - O governo recuou e decidiu tornar mais flexíveis as normas que regulam o funcionamento dos fundos de investimento para evitar fugas de recursos das aplicações. Ontem, o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) anunciaram medidas que têm por objetivo reverter os saques ocorridos nos últimos dois meses.
A partir de agora, os fundos de investimento não serão mais obrigados a contabilizar todos os seus títulos com base no valor de mercado de cada papel. Essa exigência passou a vigorar em 31 de maio deste ano e foi alvo de críticas e reclamações por parte do mercado.
Para que o valor de mercado dos papéis de curto prazo não sofram grandes desvalorizações daqui para a frente, o BC decidiu recomprar também R$ 11 bilhões em títulos públicos, principalmente de LFTs (Letras Financeiras do Tesouro) - os papéis de maior participação na dívida interna e os que mais se depreciaram nas últimas semanas. O objetivo é garantir ao mercado que esses papéis poderão ser recomprados pelo governo em caso de queda nas cotações.
Para compensar o gasto, o BC decidiu elevar a alíquota do recolhimento compulsório (o que os bancos são obrigados a recolher ao BC) sobre a poupança e os depósitos à vista e a prazo, o que representará R$ 10,8 bilhões retidos no BC.
Segundo o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, o objetivo da mudança é ''acalmar a vida financeira dos cidadãos e das empresas, enquanto não se resolvem as incertezas internas e externas''.
Com a mudança, títulos pós-fixados que vençam em menos de um ano e que não sejam vendidos antes de seu vencimento não precisarão ser contabilizados, pelos fundos, com base no seu valor de mercado. Bastará que o valor atual dos papéis seja corrigido, de agora em diante, por uma determinada taxa de juros.

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