BC mantém juro básico em 19% ao ano
Agência Folha
De Brasília
O Banco Central manteve hoje inalterados em 19% anuais os juros básicos da economia, sem indicar tendência de baixa da taxa. A decisão, que confirmou as expectativas do mercado financeiro, foi tomada em reunião realizada nos últimos dois dias pelo Copom (Comitê de Política Monetária) do BC, um colegiado formado por diretores e chefes de departamento da instituição.
O Copom também decidiu não impor nenhum tipo de viés à taxa, de alta ou de baixa. Isso significa que os juros permanecerão em 19% anuais pelo menos até 22 de março, quando termina a próxima reunião do Copom.
Essa foi a quinta reunião consecutiva do Copom que decide pela manutenção dos juros. A taxa está fixada em 19% anuais desde 23 de setembro de 1999. A explicação oficial para a manutenção da taxa básica de juros só será conhecida na próxima quinta-feira, quando será divulgada a ata da reunião do Copom realizada nos últimos dois dias.
Ontem, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, disse apenas que a tendência da inflação começa a exibir sinais favoráveis, mas alguns riscos ainda não se dissiparam. Nas atas das últimas reuniões, o BC vem apontando a alta projetada das tarifas públicas, que poderia pressionar a inflação, como o principal motivo para frear a queda dos juros.
O aumento esperado das tarifas para este ano é de 9,2%, percentual que supera a meta para a inflação de 2000, fixada em 6%, mas que pode variar de 4% a 8%.
Tomando como base um aumento de tarifas dessa magnitude, o último relatório de inflação divulgado pelo governo faz uma projeção de inflação de 5,8% neste ano, pouco abaixo da meta anual, caso os juros sejam mantidos em 19% durante o ano.
Analistas do mercado financeiro já apostavam na manutenção da atual taxa de juros. Apenas uma pequena parcela acreditava na possibilidade de haver uma queda de 0,25 ponto percentual.
A recente alta do petróleo no mercado internacional também vem sendo apontada pelos analistas como um dos obstáculo para a queda da taxa de juros. O BC estimava que o barril fosse chegar a US$ 27 neste trimestre, mas os contratos futuros (em que mercadorias são compradas antecipadamente com base em expectativas sobre os preços futuros) de março já ultrapassaram a barreira de US$ 30.
O BC influencia os juros de toda a economia fixando metas para a chamada Selic, que é a taxa média dos negócios de curtíssimo prazo realizados pelos bancos com títulos federais. A Selic é considerada a taxa básica de juros da economia porque é usada pelos bancos para definir os juros pagos nos depósitos a prazo e as taxas cobrada nos empréstimos.
Desde a adoção do sistema de câmbio flutuante, em janeiro de 1999, o controle da inflação se tornou o principal objetivo da política de juros do governo. Os juros têm impacto indireto na inflação. Baixas na taxa básica estimulam o crédito, o consumo e o investimento. Essa demanda adicional pode gerar inflação, se a economia não dispõe de bens, serviços e mão-de-obra para atendê-la.
Estudos do Banco Central mostram que, de forma geral, eventuais quedas ou altas da taxa básica de juros só têm impacto na atividade econômica após seis meses depois de terem sido colocadas em prática.
Assim, as decisões que o BC está tomando hoje visam ao controle da inflação a ser apurada no segundo semestre de 2000 e no próximo ano. O Copom elevou os juros a 45% anuais em março do ano passado, como forma de combater eventuais pressões inflacionárias causadas pela maxidesvalorização do real, ocorrida em janeiro.
Superados os receios iniciais, o Copom já promoveu 11 quedas na taxa básica de juros . Até o início de novembro do ano passado, o BC ainda sinalizava a possibilidade de baixar os juros, com a manutenção do chamado viés de baixa. Naquele mês, o viés foi suspenso.
O viés é um mecanismo que autoriza o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, a promover baixas na taxa quando achar adequado, sem esperar pela reunião seguinte do Copom.





