São Paulo - Na mesma semana em que o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne pra discutir a taxa básica de juros, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sinalizou mais uma vez que a instituição será guiada pela cautela e conservadorismo.
Afinado com o presidente de vários bancos privados, Meirelles disse que o Banco Central atuará com gradualismo. ''O BC sempre faz o melhor uso de todas informações disponíveis a cada momento. Gradualismo não configura rigidez nem falta de flexibilidade'', disse ele ontem durante a cerimônia de posse do novo presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), Alfredo Setúbal.
O Copom se reúne hoje e amanhã para decidir se mantém ou reduz a taxa Selic (a taxa básica de juros brasileira) em 24,5% ao ano. Os presidentes do Bradesco, Marcio Cipryano, do ABN, Fábio Barbosa, e do Citibank, Gustavo Marin, afirmaram ontem que esperam um corte de 1,5 ponto percentual - dos atuais 24,5% para 23% ao ano.
O ex-diretor do BC Sérgio Werlang, atualmente no Itaú, afirmou que haveria espaço para um corte maior, mas que o Copom deve ser cauteloso e fazer corte de apenas 1,5 ponto percentual na taxa.
Segundo ele, o Brasil fechará o ano com os juros em 19% - o que permitirá crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2,5% e 3,5% para 2004. Werlang disse que os juros podem chegar a 2004 em 15%.
Meirelles disse ontem que a retomada do crescimento sustentável passa pelo desenvolvimento do mercado de capitais. Segundo ele, o País precisa de um mercado de capitais moderno, seguro e eficiente. ''Não há crescimento sem investimento. E não há investimento sem uma intermediação financeira eficaz e segura'', disse. De acordo com o presidente do Banco Central, a intermediação financeira que faz a ligação entre os planos de poupança das famílias e as oportunidades de investimento.

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