BC liquidará banco no vermelho
Arquivo FolhaGustavo Franco: Governo terá que botar dinheiroA partir do dia 1º de abril os bancos estaduais receberão do Banco Central o mesmo tratamento hoje dispensado às instituições privadas. Eles serão liquidados caso fiquem com patrimônio líquido negativo. O aviso foi dado ontem em Brasília pelo presidente do BC, Gustavo Franco.
Segundo ele, seguindo o modelo adotado pela fiscalização para o setor privado, no momento em que for detectado o problema patrimonial o controlador da instituição (no caso, o governo estadual) terá um prazo para capitalizar o banco. Se não botar dinheiro, o banco será liquidado, afirmou o presidente do BC.
Franco referiu-se a 12 das 28 instituições estaduais que, mesmo depois do Proes (Programa de redução da participação do setor público estadual na atividade bancária) permanecerão sob o controle dos governos estaduais. Dentre elas está a Nossa Caixa-Nosso Banco, de São Paulo, que obteve ajuda do governo federal para ser saneada.
De acordo com informações já divulgadas pelo BC, os gastos totais do Proes chegarão a R$ 50 bilhões, mas Franco destaca que, desde 1990 outros R$ 35 bilhões já tinham sido dados aos bancos estaduais sob a forma de subsídios. Como, por exemplo, em linhas de empréstimo do BC com juros abaixo de mercado.
Outro aviso de Franco é que não adiantarão as pressões políticas para evitar a liquidação, o que até agora foi uma praxe na questão dos bancos estaduais. Em alguns casos, como os do Econômico, do Bamerindus e do Nacional, também ocorreram pressões políticas a favor de instituições privadas. O presidente da República (Fernando Henrique Cardoso) e o ministro Malan (da Fazenda, Pedro Malan) já sabem a minha posição, afirmou.
Segundo ele, o BC está conduzindo as negociações do Proes com toda liberdade, sem qualquer interferência do Planalto ou da Fazenda, para aceitar ou não as condições pedidas por governadores. A pressão política é zero, disse, enfaticamente.
Para sanear o banco, o governo estadual precisa participar com 50% dos recursos necessários à capitalização. Franco informou que houve gente que ofereceu até mesmo casa de praia por R$ 25 milhões ou ações da própria instituição que estava sendo saneada. As ofertas foram recusadas e não houve ingerência política.





