BC liquida mais dois grupos financeiros
BC liquida mais dois grupos financeiros
Banco Mercantil de Descontos (BMD), de São Paulo, e Banco Brasileiro Comercial SA, de Goiânia, estavam sob risco de quebra
Agência Estado
O Banco Central decretou ontem a liquidação extrajudicial de mais dois grupos financeiros: o Banco Mercantil de Descontos (BMD), com sede em São Paulo, e o Banco Brasileiro Comercial SA, sediado em Goiânia. De acordo com nota distribuída pelo BC, as duas instituições apresentavam grave desequilíbrio financeiro, ou seja, um rombo em suas contas que representava grande risco para os credores dos dois bancos. O BC também decretou a indisponibilidade dos bens dos administradores dos bancos e dos bens das empresas coligadas.
Com 49.306 correntistas, o BMD tem de 33 agências, das quais 30 em São Paulo. As outras três estão no Rio, Brasília e Curitiba. Entre depósito à vista e poupança, o BMD administrava um total de 57.968 contas. No caso do BBC, são 25 agências e 15.542 contas. A decisão de liquidar as duas instituições foi tomada pela diretoria do BC na noite de quinta-feira.
Segundo a nota, a situação dos dois bancos vinha sendo monitorada desde o segundo semestre do ano passado. Advertidos pelo BC para a necessidade de reequilibrar suas contas, os bancos chegaram a adotar providências que não foram, entretanto, consideradas suficientes. De acordo com o BC, o BMD chegou inclusive a falsificar o balanço que publicou no último dia 31 de março para esconder a real situação em que se encontrava.
Além de operações de crédito de má qualidade, ou seja, sem plena garantia de retorno, o BMD tinha custo administrativo elevado e insuficiência de capital próprio. A longo prazo, o banco teria que arcar com o pagamento de R$ 857 milhões em compromissos do seu passivo. Ou seja, a instituição teria que dispor deste dinheiro para remunerar as aplicações ou disponibilizar recursos para clientes.
O BBC tinha nível elevado de inadimplência e não vinha fazendo provisões suficientes para cobrir o calote de clientes. Mesmo fazendo aportes de capital exigidos pelo BC, não conseguiu solucionar o problema. O banco, que tinha um passivo de R$ 238 milhões em dezembro passado, também padecia de custos administrativos crescentes.
O BC prometeu se esforçar para que os clientes dos dois bancos sejam reembolsados rapidamente pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O FGC ressarce investimentos até o limite de R$ 20 mil por cliente, abrangendo, em conjunto, contas de depósito à vista e de poupança e aplicações em certificados de depósito bancário (CDB). Os aplicadores de fundos de investimento não têm direito ao ressarcimento do FGC e serão obrigados a esperar o andamento do processo de liquidação para recuperar o dinheiro.
O diretor de fiscalização do Banco Central, Cláudio Mauch, negou ontem que o BC esteja em cruzada contra os pequenos bancos, ao comentar a liquidação do BMD e do BBC. Não há operação pente-fino. Não há nenhum tipo de preconceito. Mas ponderou: Vamos exigir capitalização dos bancos para proteger os clientes.
Mauch reiterou que a liquidação foi motivada pelo risco de quebra das instituições. A má qualidade dos ativos (do BBC) e a inadimplência poderiam colocar em risco os depositantes, afirmou. Quanto ao BMD, disse que o banco havia criado subsidiárias com ativos de má qualidade e créditos duvidosos que, na forma de equivalência patrimonial, acabavam inflando o balanço do banco.





