O Banco Central e o Tesouro Nacional decidiram reduzir de US$ 3 bilhões para US$ 1,2 bilhão o total de dólares a ser comprado pelo governo diretamente no mercado neste ano. O objetivo foi conter a forte valorização registrada pela moeda nos últimos dias. O resultado foi uma queda de 0,7% registrada ontem pelo dólar. A moeda norte-americana começou o dia negociada a R$ 2,003, mas começou a recuar logo depois do anúncio do BC e do Tesouro, no início da manhã, e fechou em R$ 1,992.
A idéia original do BC e do Tesouro, anunciada no final do ano passado, era comprar até US$ 3 bilhões diretamente do mercado ao longo de 2001. O dinheiro seria usado para pagar parte das parcelas da dívida externa que vence neste ano. O governo espera obter o que não será comprado no mercado com receita de privatização. Se isso não acontecer, vai usar recursos das reservas internacionais.
No mês passado, o Tesouro comprou, por meio do Banco do Brasil, US$ 260 milhões – cerca de US$ 11,8 milhões por dia. Se esse ritmo fosse mantido daqui para a frente, o BC acabaria chegando no teto previsto no final de 2000 e compraria quase US$ 3 bilhões neste ano. Ontem, foi anunciado que o volume comprado será reduzido para US$ 1,2 bilhão. Como US$ 260 milhões já foram comprados em janeiro, as compras de agora em diante vão ser de US$ 85 milhões mensais. O BC pretende ainda comprar mais US$ 1,2 bilhão no ano que vem, também para honrar compromissos externos.
Segundo o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo (foto), o anúncio da compra de até US$ 3 bilhões ‘‘estava gerando muita especulação no mercado’’, o que contribuiu para a valorização registrada do dólar recentemente. Nesta semana, a cotação da moeda atingiu o nível mais alto desde março de 1999.
O Tesouro vai gastar US$ 10,2 bilhões neste ano em pagamentos da dívida externa. No ano que vem, serão US$ 8,6 bilhões. Com a decisão de estender as compras de dólares no mercado até 2002, o BC e o Tesouro conseguem diluir o efeito que as operações terão na cotação da moeda. Assim, uma possível ‘‘falta’’ de dólares para fazer o pagamento deste ano pode ser compensada com uma sobra em 2002, quando os vencimentos externos serão menores.
Até o ano passado, essas obrigações eram pagas com recursos das reservas internacionais e de novos empréstimos obtidos no exterior. O secretário-adjunto do Tesouro Rubens Sardenberg disse que ‘‘o objetivo não é mudar a direção do mercado’’, mas admitiu que a cotação do dólar deve cair por causa da decisão.

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