Brasília O Banco Central anunciou ontem medida para forçar os bancos a vender dólares no mercado e, assim, reduzir a volatilidade e a cotação da moeda americana em relação ao real. A decisão foi divulgada após a definição de que haverá um segundo turno na eleição presidencial entre Lula e Serra. A indefinição eleitoral foi um dos fatores que provocaram alta no dólar ontem de 3,18%, que fechou a R$ 3,735.
A medida do BC aumenta em até 50% a necessidade de capital que as instituições financeiras precisam ter para manter a mesma exposição a risco cambial permitida até ontem.
Ou seja, ou os bancos aumentam seu capital ou se desfazem de parte das operações em dólar que mantêm em carteira. ''Ou (o banco) aumenta o capital, ou, o que é mais fácil, se desfaz de sua posição em dólar. Ninguém vai sair correndo para aumentar o capital'', disse o diretor de Normas do BC, Sérgio Darcy, ao explicar a decisão.
A medida entra em vigor hoje, mas os bancos têm cinco dias úteis para se adequar. As instituições que estiverem acima do novo limite só poderão fazer operações para reduzir sua exposição em câmbio.
Darcy negou que a medida tenha qualquer ligação com o resultado das eleições. Disse que a decisão foi meramente técnica. ''A decisão foi tomada num momento adequado, num momento em que foram adotadas outras medidas que não surtiram o efeito adequado.''
O diretor do BC ressaltou que a medida foi adotada para conter a volatilidade do câmbio e tornar o sistema bancário mais seguro. ''Debatemos a volatilidade cambial e decidimos reduzir a alavancagem (em câmbio) dos bancos. Queremos que as instituições fiquem mais capitalizadas. Se querem operar mais com câmbio, têm de estar mais capitalizadas'', ressaltou.
Ele confirmou que os bancos hoje estão mais ''comprados'' do que ''vendidos'' em dólar. Ou seja, a maior parte das instituições financeiras opera (ou especula) no mercado de câmbio com a expectativa de que a moeda americana se valorize ainda mais em relação ao real.
Darcy disse que ainda há outras medidas que o BC pode vir a adotar para conter a volatilidade do dólar, mas não especificou quais seriam.
Hoje, os bancos precisam ter uma quantidade mínima de capital para garantir operações que fazem no mercado. A exigência leva em conta as transações dos bancos com crédito, juros, ''swap''(realizadas no mercado futuro) e câmbio. A fórmula de cálculo do capital necessário é ponderada por esses quatro fatores.
O que o BC fez foi alterar apenas o peso para as operações com dólar. A proporção mínima de capital para a exposição cambial subiu de 50% para 75%. Num caso extremo, em que o banco só tenha operações em dólar, pode ser dado o seguinte exemplo:
a) Hoje essa instituição tem aplicado em transações em dólar R$ 100. Portanto ela precisaria ter, no mínimo, R$ 50 de capital para compensar o chamado risco cambial;
b) Pela nova regra, essa instituição teria de aumentar seu capital para R$ 75 no caso de manter a mesma posição em dólar , ou reduzir sua aplicação na moeda americana.
Mas se a instituição tiver exposição aos outros três fatores de risco (''swap'', juros e crédito), terá também a alternativa de reduzir suas transações em um ou mais desses fatores para compensar a exposição em dólar, sem ter de aumentar seu capital.
Darcy ressaltou também que o limite máximo de 60% do capital para aplicação em dólar está mantido. Ou seja, a exposição a câmbio tem de equivaler a, no máximo, 60% do capital total da instituição.

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