Agência Estado
De São Paulo
O mercado de dólar comercial apresentou ontem a maior oscilação desde a mudança do regime cambial, no dia 12 de janeiro. A moeda norte-americana chegou a ser negociada na máxima de R$ 1,995, alta de 2,99% em relação à véspera, antes de fechar a R$ 1,885, queda de 2,68% ante a cotação da quinta-feira. O mercado de dólar paralelo também foi influenciado: no momento mais tenso do dia, o dólar no black era negociado a R$ 2,033, mas fechou a R$ 2,00, ágio de 6,1% em relação ao mercado à vista.
Foi necessária uma atuação agressiva do Banco Central, oferecendo R$ 6 bilhões em títulos públicos indexados à variação cambial, para interromper o cenário de pânico no mercado de dólar. O BC não vendeu dólares diretamente, mas ofereceu – com muita abundância – o que o mercado estava querendo: hedge (proteção) contra a desvalorização cambial. O BC realizou dois leilões de Notas do Banco Central da série E (NBC-E), títulos indexados à variação cambial.
O primeiro leilão estava previsto: uma oferta de 2 milhões de papéis de 13 meses, com emissão no próximo dia 6 e vencimento em 25 de outubro do ano 2000. O segundo foi uma venda extraordinária de R$ 3 bilhões em papéis de seis meses, com vencimento em fevereiro do ano que vem. O BC não parou por aí: anunciou também um novo leilão extraordinário na segunda-feira, oferecendo R$ 1,85 bilhão em papéis com o mesmo prazo.
Entre as máximas e as mínimas do dia, as cotações do dólar no mercado comercial oscilaram 5,5%. No dia 12 de janeiro, quando o Banco Central anunciou a criação da banda diagonal endógena, o dólar subiu de R$ 1,2112 para R$ 1,32, oscilação de 8,98%.
Segundo o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, não houve demanda para a totalidade da oferta, e o BC não chegou a vender metade do que ofertara nas duas vezes.
Segundo operadores, o BC está jogando com tudo – até com o anúncio de novo leilão na segunda-feira – para que o dólar abra na segunda abaixo do fechamento de ontem. Se tudo der certo, o governo terá vencido a queda-de-braço com o mercado no que diz respeito ao dólar.
Mas analistas insistem em afirmar que o pano de fundo que detonou o pânico no câmbio foi a situação política, a fraqueza do presidente Fernando Henrique Cardoso, as demandas de diversos setores da sociedade (destacando-se caminhoneiros e produtores rurais) por medidas que afetam os cofres públicos, justamente quando é fundamental fazer o ajuste fiscal.

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