Brasília – O Banco Central desistiu de perseguir uma inflação de 3,5% para 2002, como determina a meta fixada pelo governo. De agora em diante, o BC vai usar a taxa de juros para que o aumento dos preços, medido pelo IPCA, fique entre 4% e 4,5%. A informação consta da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC), que, na semana passada, reduziu os juros básicos da economia de 19% para 18,75% ao ano. ‘‘A política monetária deve mirar numa inflação entre 4% e 4,5%’’, afirma o documento. O BC projeta que a inflação vá ficar ‘‘em torno de 4%’’ em 2002.
A decisão surpreendeu o mercado e causou polêmica até mesmo entre os membros do Copom, comitê formado pela diretoria colegiada do BC (que inclui sete diretores e o presidente da instituição). Três dos oito membros da diretoria votaram pela manutenção dos juros, por considerar que ainda não há evidências claras que confirmem a tendência de queda da inflação.
A meta deste ano é de 3,5%, com margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Quando a inflação se distancia da meta, elevam-se os juros. Essa alta provoca desaquecimento da economia, reduzindo a renda da população, o espaço das empresas para aumentar seus preços e o nível de atividade econômica.
Políticos governistas vinham criticando a equipe econômica por fixar para este ano uma meta apertada para a inflação. Eles defendiam uma inflação um pouco maior, exatamente para permitir uma redução nos juros e dar mais fôlego à economia num ano eleitoral.
A explicação do BC para o corte nos juros se baseia nos choques sofridos pela economia. Um deles é a elevação das tarifas públicas. Nas contas da instituição, o aumento médio deve ficar em 5,7%.

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