BC irá ampliar financiamento às exportações
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segunda-feira, 19 de agosto de 2002
Agência Folha 
Brasília O Banco Central irá destinar US$ 2 bilhões das reservas internacionais do País para o financiamento das exportações. A liberação dos recursos faz parte do esforço do governo para compensar a falta de crédito externo para empresas brasileiras.
O cronograma de liberação dos recursos e a maneira pela qual as empresas terão acesso aos dólares das reservas devem ser divulgados oficialmente hoje. Mesmo antes de fechar os detalhes da operação, o BC preferiu anunciar ainda ontem o valor da operação, para tentar acalmar o mercado.
A falta de crédito externo tem sido apontada como uma das causas da alta do dólar. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, a oferta de crédito à exportação caiu de R$ 16 bilhões para R$ 13 bilhões nas últimas semanas.
De acordo com o BC, os US$ 2 bilhões anunciados ontemfarão parte de um programa inicial, cujo valor poderá ser elevado caso o governo julgue necessário. O dinheiro será colocado aos poucos no mercado, por meio de leilões.
Além dos dólares das reservas internacionais, também serão destinados ao financiamento das exportações US$ 1,5 bilhão emprestado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e R$ 2 bilhões vindos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).
No caso do dinheiro do BID e do FAT, a parte operacional da concessão dos empréstimos será conduzida pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O BNDES também terá mais US$ 400 milhões de bancos asiáticos e europeus. No total, os recursos anunciados pelo governo para as exportações nos últimos dez dias somam cerca de US$ 4,6 bilhões.
Quanto aos recursos das reservas, os técnicos do BC ainda trabalhavam ontem para finalizar o método a ser utilizado para fazer com que os recursos cheguem às mãos dos exportadores. O BC não pode emprestar o dinheiro diretamente para as empresas, pois a instituição só está autorizada a operar com bancos.
Mesmo nas transações feitas com bancos, o BC só vende dólares por meio de leilões, normalmente feitos por intermédio de instituições financeiras por ele autorizadas conhecidas no mercado como dealers. Atualmente, não há nenhum mecanismo que garanta que os dólares vendidos pelo BC sejam usados para fins específicos, como o financiamento às exportações.
Os exportadores precisam de crédito para financiar a produção e o embarque das suas mercadorias para o exterior. Parte desses empréstimos é oferecida pelo governo, por meio do BNDES e do Banco do Brasil, e parte vem dos bancos privados. Nesse último caso, o dinheiro é captado no mercado internacional e repassado para as empresas.
Com o aumento da desconfiança dos investidores em relação ao País, o crédito ao setor privado registrou uma forte retração, dificultando o acesso das empresas brasileiras ao crédito.


