Agência Estado
De São Paulo
O Banco Central voltou ao mercado de câmbio ontem para vender dólares. Nas últimas quatro quartas-feiras (incluindo ontem), o BC vendeu dólares em três. Em todas as vezes, o principal motivo para a intervenção foi a alta das cotações da moeda norte-americana impulsionada pela expectativa de aumento da inflação.
O mercado de câmbio já amanheceu ontem em clima de expectativa quanto ao índice de inflação que deve ser divulgado nesta quinta-feira. Apesar de a equipe econômica estar alertando, até com uma certa frequência, que as pressões inflacionárias no momento são sazonais, o mercado prefere adotar a posição defensiva. Além disso, a disposição já anunciada do governo de elevar os juros, para conter a alta dos preços, é mais um ingrediente no quadro de cautela do mercado de câmbio.
É bem verdade que o dólar não disparou ontem. Na cotação máxima do dia, chegou subir apenas 0,31% (cotado a R$ 1,9390). Operadores comentam, no entanto, que o BC não quer deixar que o dólar inicie um movimento de alta justamente por causa dos efeitos inflacionários da desvalorização cambial. Além disso, dizem operadores, há bancos com fortes posições vendidas em dólar.
Os boatos de ontem à tarde, em torno do que poderá ser o resultado da segunda prévia do IGP-M (a ser divulgada hoje), ganharam proporções significativas ontem, a ponto de circularem rumores no mercado sobre eventual reunião extraordinária do Comitê de Política Monetária (Copom) para elevar os juros. E, desta vez, estes boatos não contaminaram apenas o segmento de renda fixa, mas o mercado financeiro como um todo. O presidente do Banco Central, Armínio Fraga Neto, fez pouco caso dos boatos. Disse que não iria nem comentá-los.
Muitos operadores comentaram ontem que a responsabilidade principal pela inflação é do próprio governo, ao permitir aumentos expressivos para as tarifas, culminando com o último reajuste pretendido para os combustíveis, do qual teve de voltar atrás. Outro alerta que já tinha sido feito por boa parte do mercado e por instituições responsáveis por cálculos de índices de preços foi de que o dólar acima de R$ 1,90 durante muito tempo fatalmente contaminaria a inflação.
As bolsas de valores fecharam em queda mais forte nesta quarta-feira, em meio a rumores sobre reunião extraordinária do Copom e a atuação do BC para refrear a alta do dólar. O fato é que previsões mais alarmistas sobre a segunda prévia do IGP-M reacenderam os temores de que não restará alternativa ao governo a não ser elevar os juros. E custo do dinheiro alto é um cenário muito desfavorável para as bolsas. A pequena liquidez neste segmento de mercado também facilitou o movimento de realização de lucros. Ontem, o volume financeiro da Bovespa somou apenas R$ 583 milhões e o índice da carteira teórica paulista fechou em queda de 2,40%, a maior baixa desde 30 de outubro (-2,89%).

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