Curitiba - O Banco Central (BC) decidiu decretar na última sexta-feira a liquidação extrajudicial da Administradora de Consórcios Curitiba. De acordo com o assistente do liquidante, Wlodimir Nisgoski, a administradora apresentou alguns indícios de irregularidade e a intervenção foi decretada como medida cautelar para preservar os consumidores que ainda não receberam os bens pagos. Numa avaliação preliminar, cerca de 150 consorciados não teriam recebido seus bens, entre motos e carros populares. O prejuízo aos consumidores, por enquanto, seria de menos de R$ 1,9 bilhão.
O administrador Luiz Edgar Somma foi afastado das funções dele no consórcio e teve os seus bens pessoais decretados como indisponíveis para garantir o pagamento dos prejuízos. ''O banco nomeou um liquidante para conduzir o processo e evitar problemas maiores para os consumidores. A administradora não estava conseguindo honrar seus compromissos com os consorciados e, por isso, houve a liquidação'', explicou Nisgoski. A Administradora Curitiba tinha 19 anos de existência no mercado paranaense.
A intervenção foi decretada por tempo indeterminado. Entretanto, Nisgoski pretende fazer um relatório ao Banco Central em, no máximo, 90 dias. ''Se não houver rombo, melhor. Acertamos as contas e pagamos os consorciados. Caso contrário, teremos que viabilizar a falência do consórcio com o fechamento da empresa e a liquidação dos bens do administrador'', explicou ele.
Nisgoski orienta para que os consumidores não fiquem nervosos. Neste momento, eles deverão aguardar o levantamento dos trabalhos. ''Por enquanto, não cabe ação. O Poder Executivo está intervindo e as medidas cautelares estão sendo adotadas. Os consumidores têm que esperar. Não precisa qualquer ato de desespero, por enquanto'', orientou. Nos dois últimos anos, apenas dez atendimentos foram feitos na Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de consumidores pedindo orientações, esclarecendo dúvidas e fazendo reclamações sobre o consórcio. Dois deles queriam a devolução do dinheiro pago ao consórcio.
A advogada do Procon, Cláudia Silvano, orienta que os consumidores procurem se habilitar como credores no consórcio dentro de 30 dias. Entretanto, no caso de liquidação, todos os demais credores são privilegiados com o pagamento da dívida. Os consumidores são os últimos a conseguir o ressarcimento dos valores. ''O consumidor deve aguardar e se habilitar para receber os seus direitos'', disse ela. Para evitar problemas com consórcios, os consumidores devem sempre verificar a idoneidade da administradora junto ao Banco Central, ler atentamente o contrato, não acreditar em promessas verbais e tirar dúvidas pendentes com os organismos de defesa do consumidor.
A Folha tentou localizar ontem o antigo administrador, mas não conseguiu encontrá-lo. A empresa tinha apenas uma funcionária, que será mantida temporariamente.
Além da Administradora de Consórcios Curitiba, também foi decretada a liquidação da Araranguaense Administradora de Consórcios, com sede na cidade de Criciúma (SC).

mockup