São Paulo O Banco Central lançou uma torrente de dólares na praça e reduziu o preço de venda do dólar no início da tarde de ontem, mas não impediu que o mercado mais uma vez ganhasse o dia. O valor do dólar que interessa para o fechamento dos negócios com a dívida e papéis do governo fechou a um nível ainda maior que o de terça-feira passada. Trata-se do Ptax (o valor da média ponderada do dólar), que fechou ontem a R$ 3,8949, contra R$ 3,6216 na terça-feira passada a diferença foi de 7,54%.
Naquele dia e ontem foram fechadas as cotações da moeda americana, o Ptax, que corrigem o preço da dívida do governo atrelada à variação do dólar e os contratos no mercado futuro. No caso da dívida pública, interessa, pois ao mercado, que tal valor seja alto. O número é relevante também por influenciar o tamanho da dívida do governo (que em parte varia com o preço do dólar).
O risco Brasil, medido pelo JP Morgan, caiu 1,76%, para 2.397 pontos. O dólar comercial fechou com baixa de 3,09% ontem, negociado a R$ 3,76 mesmo valor da quinta-feira passada.
O péssimo dia nas Bolsas da Europa e dos Estados Unidos não afetou o mercado de câmbio, mas ajudou a derrubar ainda mais a combalida Bolsa de Valores de São Paulo, que fechou o mês em queda de 16,9%. As Bolsas européias e a Nasdaq (americana) voltaram a cair aos níveis mais baixos em seis anos; o principal índice da Bolsa de Nova York regrediu ao nível de 1998.
O dólar e o BC O fechamento do dólar não espelhou o nervosismo da abertura dos negócios, quando as tesourarias dos bancos se articulavam para influenciar a formação do Ptax de modo a elevar seus ganhos.
Pela manhã, a moeda americana chegou a subir 2,24%, para R$ 3,967. Nesse período foi registrado o maior número de negócios e, como o Ptax faz uma média ponderada entre o preço e o volume de negócios, a alta da manhã já foi suficiente para determinar o Ptax num valor que saciasse os bancos. Garantida a formação da taxa, os bancos começaram a desmontar posições e embolsar lucros, o que iniciou a queda da moeda.
Além disso, segundo os operadores, o BC teria atuado forte no mercado. A quantidade de dólares vendida só será conhecida daqui a dois dias, com a verificação das reservas, mas, segundo as estimativas do mercado, o BC teria vendido hoje entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões.
O BC optou ontem por não rolar US$ 200 milhões em linhas externas que venceriam hoje. Por falta de interesse do mercado, a autoridade monetária também não renovou os 70% da dívida cambial que vencia ontem, como pretendia. Rolou apenas 21%, na sexta-feira.

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