BC intervém e dólar fecha a R$ 2,16
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quarta-feira, 03 de março de 1999
Agência Folha 
O Banco Central interveio no mercado de câmbio ontem à tarde e as cotações do dólar comercial no fechamento ficaram estáveis, em R$ 2,16 para venda, o mesmo patamar de anteontem. As atuações do BC foram tímidas, mas derrubaram o valor do dólar, que estava sendo negociado a R$ 2,20. No seu pico de alta, a cotação da moeda norte-americana bateu em R$ 2,21.
Na média ponderada de todas as negociações do dia, apurada pelo BC, a cotação do dólar ficou em R$ 2,1647, uma desvalorização do real de 1,57% contra ontem. Os investidores estão esperando que o novo presidente do Banco Central, Armínio Fraga, passe a gastar mais do que US$ 300 milhões por dia para derrubar as cotações do dólar. Isso pode acontecer hoje, amanhã ou na segunda-feira, acreditam. O patamar de R$ 2,16 preocupa. As apostas na atuação de Fraga foram tão fortes que o Banco Central não conseguiu colocar todos os papéis com variação cambial que levou ontem ao mercado, as NBC-Es. Foram leiloados R$ 500 milhões, mas só foram vendidos R$ 30 milhões. As taxas pagas chegaram a 42% ao ano. O vencimento do papel será no dia 17 de abril.
Os investidores temem que esses títulos, indexados ao dólar, percam valor já nos próximos dias. A falta de interesse no papel cambial do governo mostra que não há apostas na alta do dólar. Quem compra a moeda dos EUA no mercado à vista é porque realmente precisa para pagar sua dívida externa ou importar , disse Joaquim Paulo Kokudai, do Lloyds. Por isso, segundo especialistas, o aumento no recolhimento compulsório sobre os depósitos à prazo, que tira reais da economia, terá pouco efeito para conter a alta do dólar. O especulador tem pouca influência no mercado, diz Marcelo Allain, diretor de Análises Econômicas do Banco BMC. Para ele, uma alta dos juros seria inócua para conter o dólar e teria um efeito negativo: agravaria o temor de calote na dívida pública. Para o diretor de renda fixa do BNP, Marcelo Saddi Castro, uma alta nos juros seria também ineficaz para conter a inflação, que é decorrente do aumento de custos por causa da desvalorização cambial e não de uma demanda forte. Especialistas apostam, no entanto, que a reunião do Comitê de Política Monetária, marcada para hoje, deve subir o teto dos juros de 41% ao ano para até 60% ao ano. Se a inflação subir mais do que 4% em março, o BC poderia puxar para cima os juros do over, hoje em 39% ao ano.


