O Banco Central foi obrigado a intervir no mercado de câmbio com a venda de títulos cambiais para tentar segurar a disparada do dólar. Mesmo assim, a moeda norte-americana fechou em alta de 0,37%, vendida a R$ 2,190. O agravamento da crise política foi o principal ponto de pressão sobre o câmbio. A Bolsa de Valores de São Paulo também repercutiu negativamente o desgaste do governo e caiu 3,5%.
Quando o preço do dólar alcançou os R$ 2,219, valorização de 1,70%, o BC vendeu no mercado R$ 1 bilhão em NBC-ES (títulos que pagam variação cambial mais juros prefixados), com prazo de resgate em setembro deste ano, que fizeram o valor da moeda recuar rapidamente.
O grande apetite do mercado, devido ao prazo curto dos papéis, permitiu que o governo pagasse taxas baixas pelos papéis, 8,9% ao ano. No último leilão com papéis semelhantes, no dia 20 do mês passado, o BC pagou taxa 10,5%.
Para o lote de R$ 1 bilhão em NBC-ES, a demanda foi de R$ 2,108 bilhões. Isso significa que como havia mais investidores interessados que títulos disponíveis, o governo pode pagar taxas mais baixas. O problema para o governo em oferecer esses títulos para tentar diminuir a pressão sobre o valor do dólar é que ele aumenta o tamanho de sua dívida.
‘‘Mas o BC não pode conduzir sua política monetária e cambial atento apenas ao lado fiscal. Como a meta de inflação é o seu foco principal, ele tem de tentar, mesmo que isso aumente sua dívida, segurar a alta do dólar, pois isso pressiona a inflação’’, diz Rogério Mori, do banco Santos.
As declarações da ex-diretora do Prodasen (centro de processamento de dados do Senado) Regina Borges ao conselho de ética do Senado sobre a quebra de sigilo do painel eletrônico e a informação de que José Roberto Arruda (PSDB) abandonou a liderança do governo na casa foram uma ducha de água fria após o mercado ter um dia de forte euforia, anteontem, quando a Bovespa subiu 4,31% e o dólar fechou em baixa.
A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de aumentar os juros básicos (Selic) em 0,5 ponto percentual não teve maior impacto no mercado. Esse era o resultado esperado pela maioria dos analistas e investidores. Rumores sobre a Argentina, que davam conta da renúncia do ministro da Economia do país, Domingo Cavallo, também contribuíram para o dia negativo. Os boatos foram desmentidos pelo governo argentino.

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