Agência Estado
A possibilidade de elevação dos juros norte-americanos e de mudança no regime cambial argentino levaram o Banco Central (BC) a não promover uma nova redução da Taxa Selic nos últimos 14 dias. ‘‘As análises de que os juros deviam cair acompanhando a divulgação de novos índices de preços indicando deflação em algumas regiões metropolitanas não levam em conta o cenário externo. E o BC não pode deixar de levar em conta estes fatores externos’’, disse uma fonte da área econômica do governo.
O BC, no entanto, não descarta a possibilidade de vir a exercer o viés de baixa da Taxa Selic antes da próxima reunião ordinária do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para o dia 23. ‘‘O momento é de prudência, mas isto não quer dizer que não podemos vir a usar o viés novamente’’, disse esta mesma fonte. A Taxa Selic está congelada em 23,5% ao ano desde o último dia 20, quando foi realizada a última reunião ordinária do Copom.
A preocupação do governo é que um aumento dos juros norte-americano e o fim do regime de câmbio fixo argentino influenciem a tendência de fluxo de capitais para o Brasil. ‘‘Sabemos que numa situação dessas o governo terá que voltar a usar todos os instrumentos tradicionais para garantir os recursos necessários ao financiamento do balanço de pagamentos’’, disse um operador de mercado.
Na opinião deste operador, as declarações de integrantes da área econômica do governo de que os investimentos diretos seriam suficientes para suprir a necessidade de financimento numa conjuntura de crise são pouco convicentes.
O governo, além disso, está consciente que a possibilidade de a recessão no Brasil ser menor que os 4% inicialmente esperados deve pressionar o balanço de pagamentos e aumentar a necessidade de financiamento externo do país. ‘‘Não será nada significativo. Mas, é claro que haverá este impacto’’, comentou uma fonte da área econômica do governo. O assunto deve até mesmo fazer parte das conversações com a missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) que chegará a Brasília na próxima segunda-feira para rever os termos do acordo fechado com o Brasil em dezembro do ano passado.
O diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, disse na entrevista em que anunciou a redução da Taxa Selic para 23,5% ao ano que não estava preocupado com a possibilidade de mudança no regime cambial argentino. ‘‘A Argentina está bem’’, disse ao dizer que não via razões para o fim do câmbio fixo da Argentina no curto prazo.
Uma elevação dos juros norte-americanos, segundo Figueiredo, não afetaria o fluxo de capitais para o país ao ponto de provocar uma mudança na tendência de queda dos juros internos. O diretor de Política Econômica do BC, Sergio Werlang, também declarou em entrevista recente que a política de juros a partir de agora será ditada pelo comportamento da inflação e não mais pela necessidade de financiamento do balanço de pagamentos.

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