BC 'guarda' choque de juro. Selic vai a 19%
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quarta-feira, 18 de julho de 2001
Agência Folha De Brasília 
O Banco Central prosseguiu com sua postura conservadora e anunciou uma alta de 0,75 ponto percentual nos juros básicos da economia, que a partir de hoje sobem de 18,25% para 19% anuais.
É mais uma tentativa de conter a disparada da cotação do dólar e seus efeitos inflacionários. Desde março passado, o BC já elevou em 3,75 pontos percentuais os juros básicos, que voltaram aos mesmos níveis de setembro de 1999.
A decisão foi tomada em reunião realizada terça-feira e ontem pelo Copom (Comitê de Política Monetária) um colegiado formado por diretores do BC (com direito à voto) e chefes de departamento da instituição.
O BC limitou-se ontem a divulgar uma frase: Com o objetivo de evitar a propagação do realinhamento de preços resultante dos recentes choques e assegurar a convergência da inflação para a trajetória de suas metas, o Copom decidiu fixar a meta da taxa Selic em 19% ao ano Ou seja, a alta dos juros foi para controlar a inflação. Maiores detalhes sobre a decisão só devem ser conhecidos na semana que vem, quando será divulgada a ata da reunião do Copom.
Alguns analistas do mercado financeiro já previam a alta nos juros. O aumento de 0,75 ponto é um sinal de que o BC preferiu guardar um novo choque de juros para a hipótese de agravamento da crise argentina, com decretação de moratória da dívida ou abandono do regime de conversibilidade da moeda.
As altas dos juros têm o objetivo de cumprir a meta de inflação deste ano, fixada em 4%, com intervalo de tolerância de dois pontos percentuais. Pela última previsão do BC, de junho passado, a inflação deverá ficar em 5,8% neste ano com risco de 40% de o teto da meta ser superado. O mercado já prevê inflação de 6%, segundo pesquisa do BC.
O dia no mercado financeiro foi de expectativa, ontem, em relação à definição da taxa Selic, definida apenas por volta das 21 horas. O Banco Central interveio no mercado e vendeu aproximadamente US$ 50 milhões, como tem feito desde o último dia 5, levando ao recuo das cotações (leia nesta página). Na opinião do diretor da corretora Didier Levy, Luis Henrique Didier, o mercado de câmbio vai continuar nervoso, independentemente da decisão do Copom de elevar a taxa básica para 19% ao ano. Enquanto a crise argentina não tiver uma solução, a turbulência no mercado continua.
No pregão da BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), a taxa do contrato DI (juro interbancário) de agosto recuou para 20,71% anuais. No dia anterior, fechou em 21,13% anuais.
Mas, mesmo com a taxa em um nível inferior ao dos negócios da semana passada, os investidores continuaram com a expectativa de que a Selic teria uma alta mais forte, de até dois pontos percentuais e meio. A Bovespa operou em baixa durante quase todo o pregão, para fechar com queda de 2,66%, próxima da mínima do dia. As baixas atingiram a maioria das ações. Entre os dez papéis mais negociados, apenas as ações preferenciais da Cemig tiveram fôlego para subir (1,11%).


