BC garante venda do Banestado dia 17
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sexta-feira, 06 de outubro de 2000
Agência Estado De Brasília 
O diretor de Finanças Públicas e Regimes Especiais do Banco Central, Carlos Eduardo de Freitas, disse ontem que não há a menor hipótese de o leilão do Banco do Estado do Paraná (Banestado), marcado para o próximo dia 17 de outubro, ser adiado. Segundo o diretor, rumores nesse sentido tomaram conta do mercado financeiro hoje. É uma reação dos interesses feridos com a privatização, afirmou.
Para o diretor, um dos interesses feridos na privatização é justamente o dos sindicatos dos bancários. Ele disse que os sindicatos sempre viveram dos bancos oficiais. Só o Banespa, segundo ele, tem 320 funcionários pagos pelo banco em tempo integral no sindicato. O diretor do BC também rebateu o argumento de que as irregularidades praticadas na administração do Banestado, que vieram à tona nos últimos dias, deveriam provocar o adiamento do leilão. As irregularidades são, ao contrário, um pretexto para privatizar o banco o mais rápido possível, disse.
Faltando dez dias para a privatização do Banestado, a cargo do governo estadual, o governador Jaime Lerner (PFL-PR) está sofrendo com uma série de denúncias de irregularidades praticadas na gestão do banco paranaense. Quem iniciou o processo foi um dos adversários do governador, o senador Osmar Dias (PSDB-PR). Com o objetivo de adiar o leilão do Banestado, Dias conseguiu que a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (Cae) chamasse a diretora de Fiscalização do Banco Central, Tereza Grossi e o diretor de Finanças Públicas e Regimes Especiais, Carlos Eduardo de Freitas, para explicar a situação do banco.
Tereza Grossi disse que 78 funcionários do Banestado estão respondendo a processo administrativo, instaurado para apurar irregularidades cometidas na gestão do banco paranaense. A diretora contou aos parlamentares que as irregularidades se perpetuaram por várias administrações, tendo o BC investigado até o ano de 1985.
O BC também encaminhou várias notícias-crimes ao Ministério Público do Paraná. Na Justiça, dez acusados pelo Ministério Público já estão com os bens indisponíveis. O presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, disse que os senadores do Paraná estão prejudicando a imagem do banco com o único objetivo de atingir o governador. Eles sabem muito bem que essas questões aconteceram no passado e que todas as medidas administrativas já foram tomadas, afirmou. De acordo com Stephanes, todos os envolvidos nas irregularidades foram demitidos. Essa questão agora é exclusivamente com a Justiça, ponderou.
Apesar das denúncias, Stephanes acredita que o leilão do Banestado será um sucesso. Os interessados sabem da boa situação do banco, disse. O preço mínimo do Banestado está fixado em R$ 434 milhões. O presidente do Banestado já quis adiar a privatização do banco, mas agora argumenta que não há mais tempo para isso. Sempre achei que a data entre os dois turnos da eleição municipal não era boa, disse. Na sua avaliação a data ideal seria após a privatização do Banespa. O Banestado seria o último grande negócio bancário, afirmou.
Na audiência na CAE, os diretores do BC explicaram aos senadores que as irregularidades detectadas pela fiscalização na gestão do Banestado, especialmente na Banestado Leasing, eram estarrecedoras. Existia uma quadrilha dentro da Banestado Leasing, afirmou Tereza Grossi.
As operações irregulares detectadas pelo BC no período de janeiro de 1995 e julho de 1996 referem-se a empréstimos concedidos a 33 empresas de forma danosa para o banco, sem análise da capacidade econômica e num claro privilégio a pessoas jurídicas ligadas aos ex-diretores da Leasing. O rombo apurado foi da ordem de R$ 226 milhões.


