BC fixa taxa básica em 23,2% ao ano
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quarta-feira, 15 de abril de 1998
Agência Folha 
O Banco Central promoveu ontem novas reduções nas taxas básicas de juros, aproximando-as ainda mais dos níveis vigentes antes da crise asiática. A TBC (Taxa Básica do BC) foi reduzida de 28% para 23,25% anuais, e a Tban (Taxa de Assistência do BC) baixou de 38% para 35,25% anuais. Antes da crise, a TBC estava em 20,7% anuais.
A queda ficou dentro das expectativas dos analistas do mercado financeiro. Os contratos futuros envolvendo juros apontavam uma TBC de 34,5%. As novas taxas valem a partir de hoje e vigoram pelo menos até 20 de maio, quando ocorre nova reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), órgão que reúne diretores, o presidente e chefes de departamento do BC. O presidente do BC, Gustavo Franco, não participou da reunião de ontem do Copom, pois se encontra em viagem aos Estados Unidos.
Inicialmente ele pretendia participar por meio de telefone, mas desistiu. A reunião foi presidida por Francisco Lopes, que acumula as diretorias de Política Monetária e Política Econômica e, interinamente, a presidência do BC.
Essa foi a quinta redução nos juros desde de outubro passado, quando o governo dobrou as taxas para enfrentar a crise asiática. Durante o pânico no mercado financeiro, investidores retiraram dólares do País, com receio de uma hipotética desvalorização do real.
Isso fez as reservas em moeda estrangeira do BC despencarem de US$ 61,931 bilhões para US$ 52,035 bilhões. Para estancar a fuga de dólares, em 30 de outubro o governo elevou a TBC de 20,7% anuais para 43,4% anuais. Assim, ofereceu maior remuneração para os investidores que se arriscaram a deixar dólares aplicados no País. Os juros altos restabeleceram os investimentos no país. Em abril, as reservas internacionais atingiram aproximadamente US$ 70 bilhões, segundo o ministro da Fazenda, Pedro Malan.
Mas, ao mesmo tempo em que ajudaram a recompor as reservas, as altas taxas comprometeram o crescimento da economia. Após o choque dos juros, caiu de 4% para 2% a expectativa do governo para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto, total das riquezas produzidas no País) em 1998. Os juros influenciam o crescimento da economia e a criação de empregos. Quando as taxas estão altas, de forma geral a economia cresce menos e é menor a oferta de empregos. Juros baixos são associados a maior crescimento da economia e criação de vagas.
Passado o auge da crise, no fim de novembro a equipe econômica colocou em prática um cronograma de redução gradual da TBC, com objetivo de atenuar os efeitos negativos dos juros altos sobre o crescimento da economia. A queda nas taxas anunciada ontem pode ter sido a penúltima ou a última do ano. A TBC chegou bem próxima dos níveis vigentes antes da crise, e novas reduções poderiam prejudicar a entrada de investidores estrangeiros no País.


