BC faz leilões de dólares para evitar desvalorização do real
O Banco Central fez ontem nada menos que sete leilões de venda e um de compra de dólares ao longo dia, numa manobra para evitar a disparada nas cotações da moeda norte-americana. Os preços do dólar estiveram fortemente pressionados para cima porque houve um aumento da procura, provocado pela crise nas Bolsas de Valores. Investidores que decidiram abandonar as bolsas brasileiras saíram em busca de dólares, e a procura chegou a ameaçar o equilíbrio entre as cotações da moeda norte-americana e do real.
Às 9h02, o BC deu início a um leilão de venda da moeda estrangeira no segmento de taxas livres (comercial), desfazendo-se assim de parte de suas reservas cambiais. Para afastar especuladores, o lote mínimo para cada proposta de compra foi fixado em US$ 5 milhões, bem acima dos US$ 500 mil normalmente estabelecidos. O dólar foi vendido pelo BC a R$ 1,1065.
Às 9h17, o primeiro leilão ainda não tinha acabado quando o BC iniciou o segundo leilão de venda de dólar do dia, desta vez para abastecer o segmento de taxas flutuantes (onde é negociado, por exemplo, o dólar-turismo). O lote mínimo foi mantido em US$ 5 milhões e o preço em R$ 1,1065.
Às 9h30, desembarcou em Brasília, vindo de São Paulo, o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Demósthenes de Pinho Neto, a quem está submetido o Departamento de Operações de Reservas Internacionais (Depin), que realiza os leilões de câmbio. Chegando ao BC, ele foi direto para o Depin reunir-se com a chefe do departamento, Maria do Socorro Carvalho, e participar da condução dos leilões.
Às 9h58, o BC deu início ao terceiro leilão de venda de moeda estrangeira do dia - o segundo no segmento comercial -, numa indicação de que a demanda por dólar e a pressão sobre a taxa de câmbio ainda estavam altas, apesar dos primeiros leilões. O lote mínimo ficou em US$ 5 milhões e o preço de venda em R$ 1,1065.
Às 10 horas a procura pelo dólar continuava forte também no segmento de taxas flutuantes, o que obrigou o BC a fazer mais uma segunda venda de moeda estrangeira neste segmento. Foi o quarto leilão de câmbio do dia, ao preço de R$ 1,1065 por dólar e lote mínimo de US$ 5 milhões. Meia hora depois, o presidente do Banco Central, Gustavo Franco, chegou a Brasília, vindo do Rio de Janeiro.
Às 10h47 o BC deu início a mais um leilão de venda de dólar, a R$ 1,1065, o terceiro no segmento comercial e o quinto do dia. O lote mínimo foi elevado a US$ 10 milhões.
Eram 10h52 quando o presidente do BC chamou sua assessora de imprensa, Silvia Faria. Por telefone, pouco depois, a assessora anunciou aos jornalistas que o BC estava reduzindo a zero a taxa de remuneração paga sobre os dólares mantidos compulsoriamente pelos bancos no BC. Esses depósitos compulsórios em moeda estrangeira correspondem à parcela que ultrapassa o limite que cada banco pode manter em sua carteira de câmbio, a chamada posição comprada. Até então, o BC estava pagando 2,4% ao ano sobre esses depósitos. Foi uma tentativa de inibir a retenção de dólares pelas instituições financeiras, que diminui a oferta e contribui para a alta do preço.
Às 12h04 começou mais uma leilão de venda, no comercial, a R$ 1,1065, o quarto no segmento e sexto do dia. O lote mínimo foi elevado para US$ 15 milhões.
Às 12h07 foi feito mais um leilão também no segmento flutuante, o sétimo leilão de venda do dia, a R$ 1,1065 e lote mínimo de US$ 15 milhões.
Com o mercado já mais calmo pela acomodação das cotações do câmbio e também por uma recuperação em diversas bolsas de valores do mundo, às 16h20 o BC fez um leilão no sentido contrário dos que havia feito até o momento, e começou a recomprar os dólares que vendeu. Oitavo do dia, o leilão ocorreu no comercial e, diferente dos outros, foi um leilão de compra. O BC ganhou com a diferença de cotação, pois recomprou a R$ 1,1015 a moeda que vendeu a R$ 1,1065.





