BC europeu surpreende mercado e eleva juros
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de junho de 2000
France Presse De Frankfurt 
O Banco Central Europeu surpreendeu os analistas ontem ao anunciar uma alta de meio ponto percentual na sua taxa básica de juros, que passou para 4,25% ao ano. Para o BCE, a alta justifica-se pelas tensões inflacionárias e porque permite ao euro reafirmar-se nos mercados.
Foi a primeira alta dessa envergadura desde 1999, e surprendeu os analistas, que esperavam uma alta de apenas um quarto de ponto percentual. As mudanças do BCE foram mais além: a entidade decidiu dar mais iniciativa ao mercado, adotando, a partir do fim do mês, uma taxa de juros variável que deve facilitar o acesso de todos os bancos aos capitais do BCE. A cotação do euro reagiu bem às mudanças, e chegou a quase 0,97 dólares, mas acabou caindo no fim do dia, vítima de uma realização de lucros.
Os especialistas se mostraram prudentes e reservados: não compreendo esta decisão do BCE. Claro que há risco de inflação, mas as altas precedentes, ao meu ver, cobriam o risco, disse Frédéric Hertault, do banco francês Saint-Dominique. Estamos verdadeiramente surpresos. Ao que parece, o BCE quis dar um choque no mercado. Sem dúvida, as cifras divulgadas nos últimos tempos não apontavam nessa direção, afirmou Patrick Certner, operador da corretora de valores Ferri.
Consciente do impacto da decisão, o presidente do BCE, Wim Duisenberg, disse em uma entrevista coletiva que ainda havia uma ameaça de inflação na zona do euro. Nos últimos meses, os riscos para a estabilidade dos preços, a médio prazo, continuaram aumentando claramente, assegurou ele, depois de lembrar que as previsões oficiais para a inflação de 2000 e 2001 são de taxas próximas a 2%, que é o limite máximo tolerado pelo BCE.


