POLÍTICA MONETÁRIA BC europeu prepara alta na taxa de juro Win Duisenberg, presidente do órgão, avisa que está preocupado com queda do euro e alta da inflação e diz que vai agir France PresseMOMENTO DE RISCODuisenberg, do BCE, está atento aos preços: ‘Teremos que endurecer’ Adrianne Roberts Tony Barber Do Financial Times O Banco Central Europeu (BCE) deixou claro ontem que não está satisfeito com a desvalorização do euro – moeda única de 11 países da União Européia – e indicou que elevará as taxas de juros em breve. No entanto, o presidente do BCE, Wim Duisenberg, encerrou a reunião do comitê de política monetária da zona do euro sem anunciar a alta nas taxas – que estão atualmente em 3,25%. ‘‘A nossa análise sobre o risco inflacionário é de que ele ainda está muito alto. Não há dúvida de que teremos de endurecer a política monetária em breve’’, disse Duisenberg à imprensa. A decisão não provocou reações fortes nos mercados de bônus ou ações, já que a maioria dos participantes esperava que as taxas de juros permanecessem onde estavam. A decisão do banco sugere que a instituição não está muito preocupada, a curto prazo, com a debilidade do euro ou a alta dos preços do petróleo. Muitos analistas, porém, prevêem um aperto na política monetária para o final do mês, dizendo que as taxas de juros da zona do euro continuam muito frouxas, tendo em vista os fortes sinais de crescimento na Europa. O BCE e os governos dos países da União Européia estão encontrando dificuldades para convencer os investidores de que suas políticas monetária e cambial são coerentes. Depois de duas semanas especialmente difíceis, qualquer decisão de elevar a taxa de juros na zona do euro poderia, portanto, ter impacto direto sobre a credibilidade da instituição em si. À primeira vista, não faltam motivos ao BCE para elevar as taxas de juros. Em primeiro lugar, a inflação central da zona do euro está subindo. A taxa básica, que inclui os preços dos alimentos e energia, em janeiro esbarrou no limite de 2% ao ano, determinado pelo BCE como um teto confortável para a economia. Em segundo lugar, a economia da zona do euro está passando por forte expansão. É provável que ela cresça mais de 3% este ano, acima de sua tendência histórica de crescimento de 2,5%. Por fim, o euro está perto de sua cotação mais baixa nos mercados de câmbio desde que foi lançado, 14 meses atrás, e há evidências de que a debilidade da divisa está estimulando as pressões de preços na região. Até a semana passada, a maior parte dos participantes dos mercados financeiros se sentia razoavelmente segura de que o BCE agiria hoje. No entanto, muita coisa mudou nos últimos sete dias. O fato é que o banco suspenderá o fogo até uma de suas três próximas reuniões, em 16 e 30 de março e 13 de abril. As razões para a virada nas expectativas derivam em parte dos movimentos erráticos do euro nos mercados de câmbio e, em parte, do que parece ter sido uma mudança de último minuto nos sinais que o BCE vinha enviando. Duisenberg já havia explicado anteriormente que o banco gostava de preparar os mercados para suas ações com uma boa antecedência. Ele disse no ano passado que não estava disposto a fazer a ‘‘sintonia fina’’ da economia da zona do euro por meio de mudanças abruptas e frequentes nas taxas de juros. Suas declarações de ontem já sinalizam, claramente, que em uma das três próximas reuniões a elevação nas taxas deve ocorrer.