Agência Folha
Do Rio
O Banco Central pre tende concluir até o fim de setembro estudo que vai orientar ações para a redução das taxas de juros cobradas do consumidor. ‘‘Queremos saber porque o spread (diferença entre taxas) entre os juros básicos da economia e as taxas na ponta do consumo é tão grande’’, disse o presidente do BC, Armínio Fraga.
A taxa over-selic (taxa básica determinada pelo Comitê de Política Monetária para os juros brasileiros) está em 19,5% ao ano. Na ponta do consumidor, no entanto, os juros médios estão em 121,96% ao ano no CDC (crédito direto ao consumidor) e batem em 326,14% ao ano nos empréstimos pessoais, de acordo com os números de julho da pesquisa mensal sobre juros da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).
De acordo com o presidente do Banco Central, o órgão já descobriu que de 20% a 30% do spread é provocado por impostos e compulsórios. ‘‘O percentual varia de acordo com o prazo e o volume do crédito, explicou Fraga. O Banco Central ainda tem duas etapas de estudos antes de concluir a pesquisa. Segundo Fraga, a próxima fase é analisar os riscos e a qualidade das garantias. ‘‘Por último vamos avaliar os custos e margens das instituições financeiras’’.
Armínio Fraga abordou o assunto em palestra sobre as políticas monetária e cambial para alunos da ESG (Escola Superior de Guerra), ontem no Rio. O presidente do BC disse também que o órgão considera que as linhas de crédito internacionais para empresas brasileiras estão totalmente restabelecidas. ‘‘As linhas aumentaram cerca de 21% com taxas de juros entre 6% e 8% dependendo do tomador’’, disse Fraga.
Os dados motivaram o Banco Central a parar de pedir oficialmente às instituições financeiras internacionais que concedam crédito para empresas brasileiras. ‘‘Este processo estava previsto para continuar até o fim deste mês mas como consideramos que as linhas de crédito estão normalizadas, antecipamos o fim deste exercício’’.
O presidente do Banco Central defendeu prioridade à discussão sobre os impostos federais na reforma tributária. ‘‘É o que me parece ter mais impacto na condução da política econômica. Se conseguirmos resolver esta primeira parte teremos uma grande coisa. Fraga acredita que as reformas tramitarão bem no Congresso apesar das dificuldades políticas. ‘‘A situação política é bastante confusa nesta volta do recesso mas isso não deve atrapalhar o desempenho do Congresso. Para ele, a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal vai permitir que o país tenha um orçamento pela primeira vez em sua história.
‘‘A noção de responsabilidade fiscal ainda não foi totalmente absorvida por nós. Em relação à reforma previdenciária, Fraga disse que a previdência do setor privado corre o risco de grande elevação do déficit se as mudanças não ocorrerem. ‘‘Hoje o déficit da previdência do setor público é muito maior, mas os números mostram projeções de um déficit explosivo na previdência do setor privado’’.Técnicos pesquisam as causas da disparidade entre juro básico da economia e os que têm sido cobrados na ponta final
Arquivo FolhaSPREAD INEXPLICÁVELFraga, presidente do BC: ‘‘Taxa básica está em 19,5% ao ano, mas o consumidor chega a pagar 326%

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