''BC errou ao intervir no Econômico'', diz Calmon
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domingo, 12 de dezembro de 2004
Biaggio Talento<br> Agência Estado 
Salvador - Ex-ministro do Desenvolvimento Regional e Indústria e Comércio, ex-membro do Conselho Monetário Nacional e ex-presidente do Banco do Brasil, o ex-presidente do Grupo Econômico Ângelo Calmon de Sá, 69 anos, aguarda com serenidade o encerramento do processo de liquidação do seu banco, que já dura nove anos. Com os bens arrestados, indiciado em 33 inquéritos policiais, já foi absolvido em 19, recorreu nos 5 que foi condenado em primeira instância e espera o julgamento dos 9 restantes. Continua negando ter cometido irregularidade e acredita que a Justiça aos poucos está lhe dando razão.
Ele mudou sua rotina e administra suas empresas pessoais. Calmon de Sá disse que conseguiu ''graças a Deus e à família'' superar o período turbulento que precedeu a intervenção do mais antigo banco privado do Brasil (fundado em 1834) quando, diz, era ''achincalhado'' pela imprensa e pelo programa humorístico ''Casseta e Planeta''. Passou nove meses recluso em casa, enquanto durou o fechamento das agências do banco. O neto deixou de ir à escola, pois os colegas xingavam o avô de ladrão.
O ex-banqueiro fala da intervenção, achando que houve erro de avaliação do Banco Central e que a instituição insiste no erro por causa de informações infundadas de irregularidades. Também acusa o BC de discriminação por tratar o Econômico de forma diferente de outras instituições bancárias do eixo Rio/São Paulo. Ele revela que a liquidação do Econômico já poderia ser encerrada agora se o governo quisesse, pois há recursos suficientes para pagar todos os credores, o que se imaginava quase impossível na data da intervenção, agosto de 1995. O BC já recebeu R$ 5,4 bilhões da massa falida do Econômico.
Razões políticas - Calmon de Sá afirma desconhecer os motivos da intervenção. ''Tínhamos problema de liquidez, mas isso era de todo o sistema financeiro na época''. Ele estava negociando a venda do Econômico ao Bamerindus e por isso acredita num componente político para a decisão. ''Naquele tempo, o deputado Luiz Eduardo Magalhães cresceu uma barbaridade e, acompanhando ele, Antônio Carlos Magalhães. Luiz Eduardo, presidente da Câmara, conseguiu aprovar todas as mudanças na Constituição para abrir o País. Um outro partido que estava ajudando o governo quem era? O PTB de José Eduardo Andrade Vieira (presidente do Bamerindus). Então você iria unir duas forças políticas que tinham papel fundamental no governo.''
A solução do BC acabou ampliando a crise financeira do País, diz. ''O que aconteceu foi um problema, numa escala dez vezes maior, do que ocorreu agora, na intervenção do Banco Santos: o BC teve de liberar compulsório (que considerei correto), pois tem a obrigação legal de zelar pelo sistema. Então, para um banco que praticamente não tem cliente pessoa física deu esse rolo até agora e foi preciso liberar R$ 4,6 milhões de compulsório. Sabe quanto liberaram na semana seguinte da intervenção do Econômico? US$ 20 bilhões que dariam hoje US$ 60 bilhões. Se não fosse isso, quebraria o sistema porque os clientes retiraram dinheiro do banco privado brasileiro para pôr nos oficiais e estrangeiros. Qual era o banco que estava seguro depois da intervenção no Econômico? Nenhum.''


