BC encerra liquidação do Bamerindus
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domingo, 03 de fevereiro de 2002
Vânia CasadoEquipe da Folha 
Curitiba - Após cinco anos de intervenção extrajudicial, o Banco Central (BC) encerrou mais uma etapa do processo de liquidação do Banco Bamerindus (hoje controlado pelo HSBC), com a divulgação do quadro de credores. Conforme o resultado apresentado, o total de ativos do Bamerindus, de R$ 1,9 bilhão não é suficiente para saldar o valor total de passivos apurado neste período, que foi de R$ 7,56 bilhões. Há portanto uma diferença de R$ 5,7 bilhões em dívidas que não há como ser saldada na avaliação do liquidante Sérgio Prates.
Com isso, a previsão de Prates é que o Banco Central decida pela falência do banco, no máximo, até meados de março. Antes disso, os integrantes do quadro de credores têm um prazo de 30 dias para contestar o resultado final do levantamento de ativos e passivos e caso não haja impugnações, o Banco Central deverá se manifestar sobre o processo. A probabilidade, segundo Prates, é que seja decretada a falência e o Judiciário passe a comandar o processo.
De acordo com o liquidante, o valor das dívidas foi elevado em decorrência da falta de pagamento dos devedores do Bamerindus. Segundo Prates, existem cerca de 18 mil ações de dívidas com o banco em cobrança no Judiciário que não foram quitadas. Para efeito de demonstração contábil, dívida que não é paga não pode ser contabilizada como crédito, mas sim como perda. O liquidante admite que se as cobranças forem bem-sucedidas, os créditos obtidos passam a ser incorporados ao total de ativos ou à massa falida, se houver a decretação da falência.
O Banco Central não considerou os créditos tributários que o Bamerindus alega que tem a receber porque o banco não está mais operando. Segundo Prates, só tem direito a créditos tributários, a empresa que está na ativa e gera receita para compensar os prejuízos obtidos num ano, no Imposto de Renda dos anos seguintes.
Apesar de o Banco Central estar empenhado em encerrar esse processo ainda no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o mercado não acredita que o episódio Bamerindus esteja próximo do fim. Pelo contrário, o mercado não se espantará se houver uma reversão desse caso, com a Justiça dando ganho de causa aos ex-controladores.


