Brasília – A elevação da taxa básica de juros, de 18% para 21% ao ano, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na segunda-feira, teve por objetivo evitar uma escalada inflacionária no próximo ano. É isso que fica claro na curta ata da reunião extraordinária do Copom, divulgada ontem pelo Banco Central. O presidente do BC, Armínio Fraga, e os diretores da instituição chegaram à conclusão de que, para trazer a inflação do ano que vem de volta para a meta ajustada, que é de 5%, a política monetária tinha de ser mais apertada.
  ‘‘O aumento da projeção de inflação para cima da meta ajustada para 2003 recomenda uma política monetária mais restritiva, mesmo que a causa primária da inflação não esteja relacionada com um aumento da demanda, mas sim com o efeito sobre os preços domésticos de uma depreciação cambial significativa’’, diz a nota. A diretoria do BC baseou-se em dados que apontam a elevação das expectativas do mercado para o Índice de Preços do Consumidor Ampliado (IPCA) para o próximo ano, que subiu de 5,2% para 5,9% desde 16 de setembro.
  O centro da meta de inflação para 2003 é de 4%, com tolerância de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo, ou seja, poderá oscilar entre 1,5% e 6,5%. O BC, no entanto, está mirando na meta ajustada, divulgada pelo diretor de Política Econômica, Ilan Goldfajn há duas semanas, que é de 5%. A ata também explica que a convocação de uma reunião extraordinária do Copom procurou não adiar decisões e que o BC está comprometido com as metas de inflação, mesmo num cenário econômico mais adverso.
  De acordo com os diretores do BC, entre as duas últimas reuniões do comitê houve uma desvalorização adicional do real, com a cotação do dólar situando-se próximo a R$ 3,90. Ao mesmo tempo, a projeção de inflação também aumentou.
  O BC explicou que, se a taxa Selic fosse mantida em 18% ao ano, haveria um estímulo para o repasse da depreciação cambial e a propagação dos reajustes dos preços. Os membros do Copom enfatizaram que o aumento da taxa de juros não visou provocar uma queda na taxa de câmbio.

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