São Paulo - O Banco Central confirmou as apostas e elevou ontem a taxa básica de juros (Selic) em 0,50 ponto percentual, para 12,75% ao ano. Foi a quarta alta seguida da taxa. Com a elevação, a Selic passa a ter seu maior valor desde janeiro de 2009. A alta era a aposta de 59 dos 63 economistas ouvidos em pesquisa da Bloomberg. Os outros quatro viam aumento de 0,25 ponto percentual, a 12,5%.
A inflação resistente, que deve ganhar força após a recente paralisação de caminhoneiros e depois de reajustes em energia, transporte e combustíveis aprovados no início deste ano, é citada por analistas como o principal balizador para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). O IPCA (índice oficial de inflação) acumula avanço de 7,14% até janeiro, acima do teto da meta do governo, que é de 6,5%. O último boletim Focus, do Banco Central, mostrou que a perspectiva de alta do IPCA neste ano subiu novamente, para 7,47% em 2015, acima da faixa superior da meta do governo, de 4,5% com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos. Para 2016, a projeção é de 5,50%.
Após a reunião de ontem, Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil, acredita em aumento de 0,25 ponto percentual em abril. "O BC deve deixar a porta aberta para nova alta por causa da questão fiscal. Joaquim Levy [ministro da Fazenda] tem anunciado medidas importantes na tentativa de colocar as contas públicas em uma trajetória sustentável para evitar perda de grau de investimento do Brasil [selo de bom mercado para se investir]", diz.
A corretora Concórdia também não descarta mais um aumento de juros em abril, embora acredite que BC possa manter a taxa inalterada até dezembro após o aumento desta quarta. "Em seu comunicado, o BC deve chamar a atenção para o fato que de a política fiscal será um fator importante de controle da inflação no futuro, já sinalizando, dessa forma, o encerramento do atual ciclo de altas de juros."

PIB

A atividade econômica enfraquecida é o que limita novas altas da Selic neste ano. No terceiro trimestre do ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,1%, abaixo das expectativas. Neste ano, o país deve ter retração de 0,58% do PIB, ainda de acordo com o Focus. A indústria continua sendo um peso sobre a atividade em geral, com contração de 0,72% no ano, segundo o boletim. A expectativa é de que a economia melhore em 2016, com crescimento de 1,50%, de acordo com o Focus.

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