BC eleva Selic em 0,25% para combater inflação
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quarta-feira, 17 de abril de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O Banco Central (BC) decidiu aumentar a taxa básica de juros, a Selic, de 7,25% para 7,50%, no primeiro reajuste desde julho de 2011. Por seis votos a dois, a decisão tomada na reunião da noite de ontem do Comitê de Política Monetária (Copom) mostra uma medida direta no combate à inflação, que passou do teto de 6,50% em março. Porém, houve críticas do setor industrial à elevação da taxa, que diminui o interesse por investimentos na produção.
Como consequência da elevação dos juros, o consumo deve diminuir e os preços tendem a cair. A mudança ocorre em um momento em que o Produto Interno Bruto (PIB) ainda patina, depois de ser de apenas 0,9% em 2012. Por isso, há o aceno de que novas altas podem ocorrer e diminuir o interesse por investimentos.
Ainda, a Selic mais alta torna mais atrativo a aplicação em títulos do governo federal, que passam a render um pouco mais. O delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) em Londrina, Laercio Rodrigues de Oliveira, explica que ocorreria, assim, a entrada de dólares para compra desses papéis, o que pode levar à desvalorização da moeda americana frente ao real. "Isso prejudica as exportações e facilita as importações."
Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) reconheceu a importância do controle da inflação, mas lamentou a elevação da Selic pelos danos à produção. "O resultado dessa combinação de políticas gera o pior cenário, que é inflação alta e crescimento mínimo", conclui o texto da entidade.
Para Oliveira, porém, o BC precisava reagir frente à inflação, que chegou aos 6,59% nos últimos 12 meses, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). "O governo está sinalizando que, se precisar bater na inflação, vai bater, mas isso inibe investimentos", diz. Ele vê como problema a falta de políticas amplas para garantir o crescimento do País, como desonerações em todas a cadeia produtiva, e não em alguns setores como tem ocorrido.
Opinião semelhante tem o presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina, Ronaldo Antunes da Silva. Ele considera "providencial" a atitude do BC. "Mas, como a votação não foi unânime, mostra que é preciso cautela. No Copom, há quem acredite que a inflação frearia nos próximos meses mesmo com a manutenção da taxa, pela queda no preço dos alimentos."
Ambos preferem não falar em pressão de instituições financeiras para elevar a taxa, o que permite que os bancos tenham melhor retorno em juros. Porém, os economistas concordam que a elevação deve chegar à população, independentemente da concorrência entre cada agente. "Mas é bom não brincar com a inflação, porque é algo que castiga mais as classes baixas", diz Silva.
A tão esperada reforma tributária que privilegiaria a produção e o crescimento do País, entretanto, está longe de ocorrer. O presidente do sindicato diz que, além de já existir resistência de governadores, anos de véspera de eleições não permitem medidas arrojadas. "Mas fica claro que as políticas econômicas do governo, com ênfase no social, estão desgastadas." O próximo encontro do Copom está marcado para os dias 28 e 29 de maio. A ata da reunião desta quarta-feira será apresentada pelo BC no próximo dia 25.


