BC eleva projeção do PIB para 2,40%
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segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O Banco Central (BC) divulgou ontem o Boletim Focus com projeção de crescimento de 2,40% para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional neste ano, leve alta sobre os 2,35% da projeção anterior. A taxa era ainda menor há um mês, de 2,21%, o que mostra que os surpreendentes resultados de indicadores nos últimos meses geraram expectativa mais positiva para o País. Porém, economistas dizem que se trata de um momento de estabilidade e que não há motivo para comemorar.
A variação é motivada pela surpresa positiva causada pelo crescimento de 1,5% do PIB no segundo trimestre sobre os três meses anteriores, além da queda de 0,33% no Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de julho ante junho, quando era esperada uma redução mais acentuada. Para o próximo ano, no entanto, o BC diminuiu novamente a projeção do PIB, de 2,28% para 2,22%. O índice estava em 2,50% há um mês.
O delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) em Londrina, Laercio Rodrigues de Oliveira, afirma que o Brasil ainda "anda de lado", mesmo que os índices tenham parado de cair. "A expectativa é que a renda aumente no segundo semestre, com os reajustes salariais da maioria das categorias e do salário mínimo, o que poderia elevar o consumo e a produção."
Diante desse cenário, ele acredita que os investimentos privados podem voltar a ocorrer, mas com reflexos apenas em 2014. "Vemos alguns setores, como o automobilístico, em que falam em investir em fábricas", conta Oliveira.
Professor de economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Sidnei Pereira do Nascimento concorda que a variação de 0,05 ponto percentual não é ruim, assim como também não é animadora. "Temos necessidade de crescer acima disso, como China e Índia. Para países menos desenvolvidos, 2% é pouco."
Nascimento diz que o PIB brasileiro nos últimos anos está muito dependente da agropecuária, mas que os indicadores da indústria seguem ruins. "Sou temeroso quando a economia é muito apoiada no setor agrícola, porque fica mais vulnerável a problemas climáticos, por exemplo", afirma. Para solucionar a falta de competitividade industrial, ele sugere investimentos em infraestrutura que cheguem "além de obras para a Copa do Mundo".
Mais indicadores
De acordo com os analistas ouvidos para a elaboração do boletim Focus, houve um ajuste da mediana das expectativas de 2,10% para 2,12% na produção industrial de 2013. Para 2014, houve diminuição de 3,00% para 2,65%. Já a projeção da taxa básica de juros, a Selic, foi mantida em 9,75% para o fim deste ano, mesmo valor previsto para 2014. A taxa está hoje em 9% ao ano.
No caso da inflação oficial, pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a estimativa de 5,82% para este ano é a mesma da previsão feita há uma semana, mas maior do que os 5,74% de um mês atrás. Para 2014, o indicador, que era de 5,80% há quatro semanas, subiu de 5,85% há sete dias para 5,90% no último boletim.
O câmbio deu um refresco e a projeção para o fim do ano foi de R$ 2,36 por dólar para R$ 2,35. Porém, há um mês a projeção era de R$ 2,30. Para 2014, o valor estimado é de R$ 2,40.



