BC eleva projeção de inflação para os preços administrados
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quinta-feira, 23 de setembro de 2004
Agência Brasil 
Brasília - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) aumentou de 8,3% para 8,5% a projeção de inflação deste ano para os reajustes de preços administrados (combustíveis, telefone, energia e serviços em geral). A elevação foi maior, ainda, na projeção dos preços monitorados para o ano que vem, que subiram de 6,3%, na perspectiva da reunião de agosto do Copom, para a estimativa atual de 6,9%, em decorrência de variações cambiais e componentes sazonais, principalmente.
Essa perspectiva é revelada pela ata da reunião do Copom, realizada na semana passada e divulgada ontem pelo BC. O documento destaca que o acumulado de reajustes para a gasolina, ao longo de 2004, manteve a projeção de 9,5%, enquanto a estimativa de inflação para o gás de cozinha caiu de 6,8% para 6,2%. As projeções quanto à energia elétrica também indicam pequena queda, de 11,6% para 11,5%. Em contrapartida, as tarifas de telefonia fixa ficarão em 13,9% - 1,1 ponto percentual mais caras que no cálculo de agosto.
O cenário para os preços monitorados e a persistência da inflação dos preços livres no atacado, em especial na indústria, que pressionam a elevação de preços também para o consumo, fizeram o colegiado do BC reavaliar para cima as tendências da inflação e apertar mais ainda a política monetária. Por isso, a taxa básica de juros (Selic) foi alterada de 16% ao ano para 16,25%, como forma de conter o consumo interno e reduzir pressões inflacionárias.
A decisão foi necessária, segundo a ata, porque a partir do cenário de referência às vésperas da reunião do Copom - com Selic de 16% e taxa de câmbio no patamar de R$ 2,90 - as projeções de inflação estavam acima das metas de 5,5% para este ano e de 4,5% para 2005.
Inércia inflácionária - De acordo com a ata, a inflação acima da meta de 5,5% este ano implica em alta para os preços futuros por conta do mecanismo que os economistas chamam de 'inércia inflacionária', que atinge tanto os preços monitorados (por força de cláusulas contratuais de reajuste de tarifas) quanto os preços livres.
Com base nessa inércia inflacionária, o Copom estima que haveria um impacto de 0,9 ponto percentual sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2005 se a autoridade monetária não adotasse medidas de contenção. Considera que a meta de inflação de 4,5%, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), seria elevada naturalmente para 5,4%. Por isso, justifica a ata, a urgência na adoção de medidas para ''acomodação parcial da inflação herdada de 2004'' e perseguir um IPCA de 5,1% no ano que vem.


