BC eleva meta de inflação para 8,5%
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quarta-feira, 22 de janeiro de 2003
Agência Folha 
Brasília O Banco Central vai trabalhar em 2003 com uma meta ajustada de inflação de 8,5% no ano, segundo carta aberta enviada ao Ministério da Fazenda pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, para explicar o descumprimento da meta.
A meta de inflação decidida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) para este ano é de 4%, com teto de 6,5%. Para 2004, a meta de inflação é de 3,75% com teto de 6,25%, mas o BC vai trabalhar com uma meta ajustada de 5,5%, com base em uma previsão de inflação dos preços administrados de 7,6% no ano.
De acordo com o BC, a meta ajustada de 8,5% para este ano levou em conta uma estimativa de inflação dos preços administrados (tarifas públicas e preços monitorados, como combustíveis) de 14%, sendo que um terço da inércia dessa alta de preços será combatido neste ano.
O BC ressalta ainda que a meta ajustada poderá ser alterada à medida que ocorram novas estimativas para o efeito primário do choque dos preços administrados por contrato e monitorados.
Segundo a carta do BC, ''o objetivo da política monetária em 2003 é perseguir uma trajetória de convergência para as metas definidas anteriormente pelo Conselho Monetário Nacional e recentemente reafirmados pelos ministros da área econômica levando-se em conta que essa convergência não se dará instantaneamente''.
Segundo o BC, a política monetária será calibrada para conduzir a inflação para os níveis compatíveis com as metas no médio prazo e evitar que a inflação se acomode num patamar mais elevado.
A nova meta deve permitir um crescimento do PIB nesse ano de 2,8%. A informação consta da carta enviada ao Ministério da Fazenda. Segundo a carta, ''a decisão de perseguir uma trajetória de inflação com base nestas metas ajustadas leva em conta que a política monetária será capaz de fazer com que a inflação convirja para o intervalo de tolerância da meta em dois anos.''
De acordo com o BC, outras trajetórias de queda mais acentuada da inflação implicariam em perdas expressivas do crescimento do PIB.
Simulações feitas pelo BC apontam que, se a inflação alcançasse em 2003 o teto da meta, que é 6,5%, haveria uma queda do PIB de 1,6%. Se a trajetória alcançasse o centro da meta de 2003 (4%) haveria uma contração do PIB de 7,3%. ''Além do efeito sobre o produto, outras trajetórias de convergência de inflação poderiam requerer um esforço desproporcional no primeiro ano, o que resultaria em uma inflação em 2004 substancialmente inferior à meta para aquele ano'', diz a carta do BC.
A meta de inflação em 2002 não foi cumprida por três fatores: forte depreciação cambial, evolução dos preços administrados por contratos e monitorados e a deterioração das expectativas para a inflação.
É preciso considerar que a alta do dólar teve influência sobre os preços administrados e piora nas expectativas. Esta foi a justificativa apresentada pelo Banco Central.


