A informação do governador Jaime Lerner (PFL), de que o prazo para o resgate das ações da Copel junto ao Banestado (agora controlado pelo Banco Itaú) foi prorrogado para junho de 2002, não foi confirmada ontem nem pelo Banco Itaú nem pelo Banco Central.
Em nota oficial, o Banco Itaú confirmou que está em negociações com o governador do Estado do Paraná ‘‘no sentido de viabilizar a prorrogação do empréstimo que tem como garantia as ações da Copel’’. O Itaú, entretanto, não dá nada como certo. No Banco Central, a informação é que o assunto ainda está sendo analisado pelo Departamento de Dívida Pública e pela diretoria de Finanças Públicas e Regimes Especiais, mas nada foi decidido até agora.
Lerner tratava o assunto como favas contadas. Sem revelar detalhes, o governador anunciou a prorrogação durante uma entrevista a jornalistas que cobriam evento no Palácio Iguaçu.
Enquanto isso, a Copel está tentando aprovar a divisão da empresa em cinco subsidiárias, para atender recomendação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o que facilitaria a privatização de acordo com o mercado. A Assembléia Geral de Acionistas que iria aprovar essa divisão, marcada para ontem não foi realizada por falta de quórum. Com isso, nova assembléia foi marcada para o dia 27 de dezembro, em segunda convocação.
O quórum mínimo exigido para uma reunião desse porte seria de 2/3 do capital votante. Como estava presente apenas o governo do Estado, que tem 58,6% do capital votante, a assembléia foi cancelada. O principal acionista ausente foi o BNDES, que tem 26% do capital votante.
A assembléia geral dos acionistas deverá legitimar o que já existe na prática, disse Ricardo Portugal Alves, gerente da coordenadoria de relações com o mercado da Copel. Estão sendo criadas as empresas subsidiárias na área de geração, distribuição, transmissão, telecomunicações e participações, que inclui o setor de informática. São unidades de negócios criadas a mais de um ano e que serão separadas como empresas independentes, explicou.
Segundo Alves, a divisão da Copel que assume o papel de holding com participação de 100% em todas as subsidiárias, foi recomendada pela Aneel para elevar a concorrência e a competitividade entre as empresas. Além disso, a agência quer todas as empresas de transmissão e geração de energias abertas para que se possa ter mais parâmetros nas definições das tarifas de energia elétrica.
Apesar da divisão da Copel a geração de ICMS para o Tesouro Estadual não muda porque o imposto continua sendo cobrado na hora que a energia é vendida ao consumidor. (Colaborou Maria Duarte, de Curitiba)

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