BC e feriado não seguram o dólar
O dólar subiu 0,62% ontem,, fechando em R$ 2,45, num dia de pouquíssimos negócios. Mais uma vez, o Banco Central (BC) marcou presença no mercado, dando continuidade à estratégia de intervenções lineares. Segundo operadores, a instituição vendeu cerca de US$ 50 milhões. A intervenção do BC reduziu a pressão sobre o câmbio, que atingiu a máxima do dia R$ 2,47 logo no começo do pregão. Com o feriado em São Paulo, o mercado teve baixa liquidez a Bovespa e a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), por exemplo, ficaram fechadas. Também foi feriado na Argentina, o maior foco de instabilidade do momento.
Nesse cenário, os investidores operaram com cautela, principalmente por causa das incertezas quanto ao leilão de US$ 850 milhões de Letras do Tesouro da Argentina (Letes), marcado para hoje (leia ao lado). Os analistas temem que os bancos exijam taxas muito elevadas para comprar os títulos.
No curto prazo, o comportamento do mercado brasileiro vai ser influenciado pelo que ocorrer na Argentina. Para o diretor do banco Lloyds TSB, Joaquim Kokudai, o dólar pode voltar a superar R$ 2,50, se as incertezas quanto ao país se intensificarem.
A crise da Argentina é um dos fatores que têm pressionado o câmbio nos últimos meses, contribuindo para a piora da percepção das condições do financiamento das contas externas brasileiras neste ano. Além disso, a desaceleração da economia mundial e a crise energética que tem impacto sobre a economia e sobre o cenário político também tiveram um papel nesse jogo.
Nos últimos dias, alguns economistas passaram a defender um aumento expressivo da Selic para segurar a alta contínua do dólar. O economista-chefe do BBV Banco, Octavio de Barros, no entanto, discorda dessa estratégia. Para ele, a elevação da Selic seria inútil para o propósito de redução das incertezas que afetam o câmbio, além de levar a uma desnecessária perda de crescimento, Barros diz que o mais indicado é manter os juros em 18,25% e eliminar o viés de baixa na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana que vem. Com isso, se for necessário por algum motivo elevar a Selic, o desgaste político não seria tão grande como o que haveria em caso de uma passagem direta de um viés de baixa para um aumento imediato dos juros.





