BC dos EUA surpreende ao baixar taxa
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quarta-feira, 18 de abril de 2001
Agência FolhaDe Washington 
Numa reunião extraordinária, pelo telefone, o banco central dos Estados Unidos surpreendeu e animou as finanças globais com um corte de meio ponto percentual nos juros básicos. Queda de lucros e investimentos, além de baixas nas Bolsas e menor crescimento global foram as razões do Fed, o BC dos EUA.
Apesar da explicação, a decisão do Fed foi tão espantosa e intrigante quanto a tomada na reunião extraordinária de janeiro. Os juros caíram para 4,50% e não chegavam a nível tão baixo desde os 4,75% de outubro de 1998, quando o Fed também tomou sua decisão em encontro extraordinário, a fim de evitar que os efeitos das crises russa e asiática afetassem os mercados financeiros norte-americanos.
Os juros caíram a tanto e tão fora de hora em um momento em que os confusos indicadores da desaceleração norte-americana começavam a parecer mais positivos, apesar da redução do consumo apontada pela queda das importações e pela queda do índice dos principais indicadores econômicos dos EUA, que baliza o desempenho econômico para os futuros meses.
Mas, por exemplo, soube-se ontem que a inflação está sob controle e que a produção industrial voltou a crescer em março, depois de cinco meses de contração.
A decisão provocou euforia nas Bolsas. O índice eletrônico Nasdaq subiu ontem 8,12%, sua quarta maior alta da história. O Dow subiu 3,91%. No entanto, o mercado, os analistas e os economistas perguntam-se se o Fed sabe alguma coisa que eles não sabem. Até ontem, discutia-se ainda se os juros cairiam na próxima reunião do Fed, em 15 de maio.
Existem duas teorias nos mercados para o corte de ontem. A primeira sugere que o Fed sabe de algum dado negativo sobre a economia norte-americana que os mercados ainda desconhecem, e quis apenas antecipar-se a ele. A segunda defende a tese de que o Fed quis simplesmente recuperar o elemento surpresa e a liderança psicológica que perdera desde janeiro, quando Greenspan passou a ser criticado por perder seu poder de provocar tendências.


