BC do Japão contraria governo e eleva os juros
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sexta-feira, 11 de agosto de 2000
France Presse De Tóquio 
O Banco do Japão (BoJ) comprovou com firmeza, ontem, sua independência, ao endurecer a política monetária, apesar das fortes pressões do governo, que vinha tentando manter sua política de taxa de juros zero, o que representaria uma política monetária flexível.
Depois de uma reunião de mais de oito horas, o BoJ aumentou a taxa de 24 horas a 0,25%. A taxa vinha sendo mantida perto do zero absoluto durante 18 meses. A taxa oficial de desconto permaneceu em 0,5%.
O Banco do Japão estima com confiança que a economia japonesa chegou a um ponto em que os temores de uma recessão se dissiparam, o que constitui a condição para aumentar as taxas, informou o comunicado.
Esta restrição parcial do crédito é considerada muito simbólica, já que serve apenas para demonstrar a recuperação da segunda maior economia mundial, depois de uma década de estagnação. A última aconteceu em agosto de 1990.
Também destaca a credibilidade do BoJ, que enfrentava sua prova mais crucial desde quando foi estabelecida sua autonomia, em abril de 1998. Os 9 membros do BoJ negaram o pedido do governo.
Os políticos, e principalmente os principais ministros, fizeram várias advertências nos últimos dias, qualificando de inoportuna ou de mal sinal a medida defendida energicamente pelo governador do BoJ, Masaru Hayami.
Isso é muito positivo, já que dessa forma o BoJ demonstra sua credibilidade e independência, afirmou Richard Jerram, economista da ING Barings. Segundo o analista, o governo cometeu um erro ao tentar pressionar o Banco Central japonês.
Para explicar este gesto, o Banco Central destacou o novo impulso da economia japonesa, que mostra sinais evidentes de recuperação, segundo o comunicado publicado ao final da reunião.
Esta gradual reativação seguramente continuará, acrescentou o BoJ, mostrando-se até mais otimista que o governo, garantindo que este início de recuperação não será afetado por um aumento do custo do crédito.
Ao final do encontro do BoJ, o Primeiro-Ministro japonês, Yoshiro Mori, lamentou implicitamente esta mudança de orientação, afirmando que ela foi prematura. Estou preocupado porque a economia se encontra num período crucial, em que se aproxima o caminho da recuperação, afirmou.


