BC do Equador aprova dolarização
Agência Estado
De Quito
A diretoria do Banco Central (BC) do Equador aprovou, ontem à noite, o plano do presidente equatoriano, Jamil Mahuad, de dolarizar totalmente a economia do país e aceitou a demissão de três diretores que se opunham à medida, anunciada no domingo à noite por Mahuad. Ele vem enfrentando há uma semana protestos de rua de estudantes e trabalhadores que pedem sua renúncia. O presidente havia informado que destituiria os diretores que se opusessem à decisão do Executivo.
O BC deixará de emitir dinheiro e passará a ter como principal responsabilidade a de servir de intermediário entre o governo e o sistema bancário do país. O funcionário do BC Modesto Correa afirmou que a nova norma monetária não entrará em vigor imediatamente. O novo padrão monetário terá de ser necessariamente complementado por uma série de leis e decisões do Executivo e do Congresso nos próximos 30 dias.
No anúncio de domingo no qual o presidente parecia estar mais preocupado em demonstrar força política , Mahuad deu poucos detalhes de seu plano de dolarização, limitando-se a estabelecer a cotação de 25 mil sucres por US$ 1, uma desvalorização de 20% em relação ao começo da semana anterior.
Coube ao ministro das Finanças, Alfredo Arizaga, dar mais informações sobre o processo de dolarização numa entrevista à emissora de TV Canal 2. Segundo ele, com a aprovação do BC, o Congresso deve ratificar nos próximos dias o decreto que converte o dólar na moeda oficial do Equador, em substituição ao sucre. O processo será realizado em duas etapas. Na primeira, a taxa de câmbio é fixada em 25 mil sucres por dólar e o governo passa a utilizar a moeda americana em todas as suas operações.
Na segunda, o BC promoverá um enxugamento das cédulas de sucre, mantendo em circulação apenas as notas de pequeno valor de face. As cédulas mais valiosas serão substituídas pelo dólar. Entramos agora num processo de transição que pode durar entre dez meses e um ano e meio, disse o ex-ministro das Finanças e assessor da equipe econômica Francisco Sweet.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) ofereceu apoio técnico ao governo do Equador para a transição e as primeiras pesquisas revelaram ontem que 58% dos equatorianos gostaram da decisão de Mahuad.
O Brasil emitiu ontem uma nota oficial sobre a crise do Equador. O governo do Brasil está acompanhando com atenção a situação do Equador e confia que a sociedade e o governo equatorianos saibam superar os atuais contratempos no país, assinala a nota.Diretoria do banco aceitou a demissão de três diretores que discordaram da medida
Martin Bernetti/France PresseDoleiros oferecem a moeda norte-americana aos moradores nas principais ruas de Quito. BC promoverá um enxugamento das cédulas de sucre, mantendo em circulação apenas as notas de pequeno valor de face





