BC diz que 15% atrasam as prestações
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quinta-feira, 19 de junho de 1997
Agência Estado Brasília 
Cerca de 15% dos mutuários de todos os tipos de financiamento bancário para a compra de imóvel não conseguem pagar em dia a prestação da casa própria. Segundo dados do Banco Central, o percentual de inadimplência chega a 21% na carteira hipotecária e a 28% nos contratos assinados após 28 de julho de 1993, fora do Plano de Equivalência Salarial (PES) e do Plano de Comprometimento de Renda.
Em todo o sistema, o índice de mutuários com mais de três prestações em atraso praticamente dobrou em 24 meses, aponta o levantamento do BC. Pelas estatísticas divulgadas ontem pelo banco, o índice saltou de 8,6% em abril de 1995 para 14,9% em abril deste ano.
O Banco Central constatou também que a inadimplência é maior nos contratos com prestações reajustadas mensalmente pela Taxa Referencial (TR), fora do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e que não possuem a trava de proteção. Nestes contratos, como, por exemplo, da carteira hipotecária, o valor máximo da prestação não está limitado a 35% da renda familiar do mutuário.
O nível de inadimplência varia muito entre as próprias instituições financeiras. O índice de atraso no pagamento das prestações nos financiamentos concedidos pelas caixas econômicas (estaduais e federal), por exemplo, é três vezes superior ao das instituições financeiras privadas.
Embora entre outubro de 1994 e abril de 1997 o financiamento habitacional tenha superado a captação líquida das cadernetas de poupança, o BC destaca que, em 12 meses, houve queda de 16,2% no número de unidades financiadas e de 9,1% no valor total dos financiamentos concedidos.
Entre maio de 1996 e abril deste ano foram concedidos financiamentos habitacionais no valor de R$ 1,49 bilhão para a construção e aquisição de 35.079 unidades habitacionais. No período anterior, ou seja, entre maio de 1995 e abril de 1996, os financiamentos habitacionais somaram R$ 1,64 bilhão, tendo sido financiadas 41.886 unidades.
O estudo feito pelo Departamento de Estudos Especiais e Acompanhamento do Sistema Financeiro (Deasf) destaca ainda o comportamento da caderneta de poupança até o mês de abril. Segundo o Banco Central, depois de seis meses de expressivos resultados positivos, a poupança obteve, em abril, um saldo positivo de apenas R$ 22,2 milhões.
A queda na captação é explicada pelo BC pela melhor rentabilidade dos fundos de investimento e dos CDBs, principais concorrentes da caderneta. Em maio, o resultado da poupança já foi negativo em R$ 6 milhões.
No acompanhamento feito pelo BC do sistema, o déficit global do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS) atingiu, em março, o montante de R$ 55,02 bilhões, sendo R$ 33,75 bilhões referentes aos contratos ativos (contratos em andamento) e outros R$ 23,98 bilhões relativos aos contratos já liquidados.


