Genebra - Apesar de a entrada de capital estrangeiro estar levando a uma valorização do real frente ao dólar, o embaixador Rubens Ricúpero, secretário-geral da Unctad (agência da ONU para o desenvolvimento e o comércio), alerta que ''certos cuidados devem ser tomados pelo Banco Central'' para não deixar que capitais especulativos tenham um impacto negativo na economia nacional.
''Algum mecanismo deve ser adotado para privilegiar capital de longo prazo. Não se pode dar colher de chá para o capital de curtíssimo prazo'', afirmou o embaixador. Segundo ele, o ingresso do capital especulativo deve ser ''monitorado com atenção'' pelo governo. ''Assim como entrou, poderá sair facilmente'', disse.
Um dos possíveis mecanismos a serem estudados, na avaliação do ex-ministro da Fazenda, seria a retirada de facilidades fiscais ao capital de curto prazo. ''Hoje, todos os tipos de capitais são tratados da mesma forma no País'', afirma Ricúpero, que lembra que muitos benefícios fiscais foram dados ao capital de curto prazo e que isso deveria ser reavaliado.
Comércio - Segundo Ricúpero, até meados do próximo semestre os exportadores brasileiros não devem sofrer as consequências da valorização do real. Com a queda do valor do dólar, um dos efeitos é a redução da competitividade dos produtos brasileiros no exterior.
''A maioria dos contratos com fornecedores brasileiros é de longo prazo e a nova tendência do real ainda não está tendo um impacto. Mas, no futuro, se a valorização continuar, os exportadores poderão enfrentar uma situação mais complicada.''

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