BC deve manter inalteradas as taxas básicas de juros
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terça-feira, 06 de outubro de 1998
Agência Folha 
O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central deverá manter inalteradas as taxas básicas de juros, segundo previsão de analistas do mercado. O comitê se reúne hoje pela primeira vez desde a decisão extraordinária de 11 de setembro passado que elevou a 49,75% anuais os juros cobrados pelo BC em linhas de assistência aos bancos.
Na reunião de hoje, o que o BC poderá eventualmente mudar são o piso e o teto dos juros - ou seja, apenas as taxas referenciais. A taxa que realmente vale vem sendo definida diariamente na mesa de operações do BC, no Rio. Essa taxa é conhecida como Selic e hoje estava em 40,9% anuais.
O teto de juros é a chamada Tban (Taxa de Assistência do BC), hoje em 49,75% anuais. O piso dos juros é a TBC (Taxa Básica do BC), estabelecida em 19% anuais.
No início de setembro, o BC suspendeu a concessão de empréstimos de assistência aos bancos pela linha remunerada pela TBC. Isso fez os juros da Selic subirem para um percentual mais próximo da Tban. Analistas ouvidos pela reportagem afirmam que não deverá haver alteração no teto dos juros, que, segundo eles, já é alto o suficiente.
Eles também consideram que não teria sentido elevar o piso para próximo da Selic, pois significaria emitir sinal de que os juros permanecerão altos por um logo período. Entre os analistas que apostam na estabilidade das taxas estão Marcelo Allain (BMC), Luiz Eduardo Alves de Assis (HSBC Bamerindus), Adauto Lima (Lloyds) e Carlos Kawall (Citibank).
O único economista ouvido que espera redução da Tban é Carlos Guzzo (Pontual), para quem a taxa deverá ser fixada em 45% ou 44% anuais. Ele acha que esse percentual dá folga suficiente para o governo administrar a taxa Selic.
Atualmente, o BC vem mantendo a estratégia de promover pequenas elevações da Selic, de 0,1 ponto percentual diário. Essa estratégia do BC é uma resposta à fuga de dólares do país. Ou seja, enquanto houver saída de capitais, o governo aumentará os juros. Para os analistas, a Selic só deve começar a cair quando forem anunciados o pacote fiscal e o acordo negociado com governos dos países ricos e organismos multilaterais.


