Com a alta contínua do câmbio e índices de inflação acima do esperado, o Banco Central deverá elevar em até 0,50 ponto porcentual as taxas básicas de juros. Hoje elas estão em 16,25% ao ano. Essa é a aposta de analistas de mercado para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que será realizada nos próximos dias 22 e 23. Segundo eles, a trajetória de queda dos juros deve ser retomada somente no segundo semestre.
E, mesmo assim, acreditam, essa queda dependerá de alguns fatores. Primeiro, uma melhora das condições econômicas da Argentina. Outro fator é o grau de redução da atividade no mercado interno que será provocado pelo racionamento de energia. Em relação ao desempenho da inflação, ninguém no mercado acredita que o BC consiga mirar e atingir o alvo da meta, que é de 4%. Enquanto Odair Abate, economista-chefe do Lloyds TSB, prevê um índice ‘‘de 5% para cima’’, Luiz Rabí, do BicBanco, aposta que ‘‘está mais para 6%’’.
Sobre o aumento dos juros, Carlos Kawall, economista-chefe do Citibank, e Rabí acreditam que a elevação será de 0,50 ponto porcentual. Abate espera 0,25 ponto porcentual, mas destaca que ‘‘se chegar a 0,50 não será nada dramático’’. Mesmo sem o programa de racionamento estar delineado pelo governo, os economistas descartam a possibilidade das medidas pressionarem diretamente os juros. Mas considerando que o aumento do câmbio nos últimos dias já foi decorrente da divulgação do problema energético, Rabí admite que o racionamento poderá ter um impacto indireto nas taxas. Isso, no entanto, somente na hipótese de a alta do câmbio destes dias ser transferida para os preços.
No caso do governo optar por tarifas mais altas ou multas para quem ultrapassar um limite estabelecido de consumo de energia, os economistas destacam que o impacto destas medidas sobre a inflação e, consequentemente, sobre os juros, vai depender de como os institutos de pesquisa vão considerá-las no cálculo dos índices.
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, já destacou que as medidas do racionamento vão ser tratadas como um choque de oferta. E lembrou que seria ‘‘como a falta do chuchu na feira’’. No entanto, em relação ao prazo das medidas do racionamento e se as penalidades vão ser para todos ou para alguns. Nesta última hipótese, a tendência seria das penalidades não serem capturadas pelos índices de inflação.
Kawall acredita que o racionamento terá claramente dois efeitos. O primeiro é a pressão sobre a demanda. Ou seja, ele prevê que haverá um desequilíbrio à medida que ocorrer uma desaceleração da economia. Isso porque, no momento, a demanda e oferta estão equilibradas. Mas com a retração da oferta esperada com o racionamento haverá a pressão. Este efeito, no entanto, não forçará os juros, pois será contido por outro efeito - a queda do emprego e, consequentemente, uma menor geração de renda. ‘‘Com insegurança no emprego, o trabalhador ficará menos confiante’’, o que causará ‘‘efeito negativo sobre a demanda’’, destacou.

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