Agência Folha
O Banco Central anunciou nova baixa dos juros básicos, de 22% para 21% anuais, que entram em vigor a partir de hoje. A taxa básica influencia os juros de toda a economia. A queda foi decidida em reunião realizada ontem pelo Copom (Comitê de Política Monetária do BC), que também sinalizou a possibilidade de novas reduções dos juros nas próximas semanas.
O comitê manteve o chamado viés de baixa, que autoriza o presidente do BC, Armínio Fraga, a patrocinar novas baixas dos juros quando achar adequado, sem esperar pela próxima reunião do Copom, marcada para 28 de julho. A partir da próxima reunião do Copom, os juros serão fixados com o propósito de atingir as metas de inflação, que serão divulgadas em 30 de junho pelo Ministério da Fazenda.
Foi a nona redução dos juros desde 4 de março de 1999, quando Fraga tomou posse e o Copom elevou os juros a 45% anuais. O objetivo era conter pressões inflacionárias originadas da desvalorização do real. Como a alta da cotação do dólar não provocou disparada da inflação, o Copom vem anunciando seguidas reduções dos juros.
Desde a desvalorização do real, o combate da inflação é o principal objetivo da política de juros. Antes a preocupação principal era atrair dólares ao país e assegurar uma baixa cotação da moeda norte-americana. As quedas mais recentes, entretanto, foram menos frequentes e com menor intensidade.
Da última reunião do Copom para cá, o viés de baixa foi acionado só uma vez. Entre as reuniões do Copom de abril e maio, o viés chegou a ser usado três vezes.
O BC determina a trajetória dos juros básicos fixando metas para a chamada taxa Selic (média dos empréstimos de um dia entre bancos, garantidos por títulos federais). O BC é o maior participante desse mercado e por isso pode definir a Selic praticamente sozinho.
A Selic é considerada a taxa básica dos juros porque, a partir dela, os bancos definem os juros que pagarão sobre as aplicações financeiras e o quanto cobrarão em empréstimos a pessoas físicas e empresas. Mesmo com a nova queda, os juros básicos continuam acima dos 19% anuais vigentes até pouco depois da moratória russa, em agosto do ano passado.
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, vem afirmando que o objetivo é deixar os juros reais (descontada a inflação) em 10% anuais até o fim de 1999. Com a queda da Selic, a tendência é que caiam as remunerações das principais aplicações financeiras, como caderneta de poupança, fundos de renda fixa e CDBs.
Teoricamente, os juros cobrados pelos bancos dos clientes, como cartões de crédito e cheque especial, deveriam cair. Mas a experiência anterior mostra que essa queda não é proporcional à redução dos juros básicos. Os bancos geralmente alegam altos custos de impostos e inadimplência.

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