A dois meses das eleições, o Banco Central mudou ontem a metodologia de divulgação e deixou de informar o déficit do setor público em 12 meses. Um dos piores indicadores do governo de Fernando Henrique Cardoso, o crescimento do déficit tem servido de munição aos opositores do presidente. O resultado também é um dos principais instrumentos usados pelos mercados, nacional e internacional, para avaliar o desempenho do governo.
Ao tentar descartar qualquer influência política na decisão, o chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes, confirmou, no entanto, que o dado não informado indicava o agravamento nas contas públicas. ‘‘O dado está piorando’’, afirmou. Ele qualificou a mudança como técnica e assegurou que, ao contrário do que se imagina, o novo método é mais transparente. ‘‘Vamos poder avaliar o exercício sem as pertubações do passado’’, afirmou.
O dado não revelado referia-se ao desempenho do setor público ocorrido nos 12 meses encerrados em maio. De acordo com números do BC, até abril o déficit nominal (inclui despesas com juros e correção monetária) estava em 6,72% do Produto Interno Bruto (PIB). Estimativas do próprio governo, no entanto, indicavam que até outubro a tendência era de piora destas contas.
Com a nova metolodogia, o BC passou a divulgar os resultados mensais e o acumulado no ano. Entre janeiro e maio, o setor público acumulou o déficit nominal de 6,52% do PIB. Um aumento de 54% em relação ao mesmo período do ano passado, quando este déficit havia sido de 4,23%.
O resultado acumulado este ano indica, ainda, que em apenas cinco meses, o desempenho do setor público apresentou situação pior que todo o ano passado, quando o déficit nominal ficou em 6,11%. Na época, o governo federal culpou estados e municípios pelo resultado. Manipulando dados, o Banco Central apresentou o resultado acumulado em porcentuais do PIB sem, no entanto, revelar o valor do produto que tem utilizado em suas contas.

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