BC define tendência de juros na quarta
Agência Estado
De São Paulo
O mercado financeiro dedica atenção esta semana à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para quarta-feira, que vai decidir o rumo das taxas básicas de juro. É o piso de juro, indicado pelo over-Selic, mercado em que os bancos movimentam recursos tendo como lastro os títulos públicos, que serve como referência para as demais taxas.
O interesse sobre o rumo dos juros foi fortalecido depois que o Copom mudou o viés (tendência) dos juros de baixa para neutro, na última reunião, em 28 de julho; a inflação persistiu elevada depois do repique em julho e a instabilidade cambial aumentou as incertezas; o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) elevou o juro de curto prazo norte-americano de 5% para 5,25% e manteve o viés de neutralidade semana passada.
O administrador de Carteiras da Lloyds Asset Management (LAM), Érico Capelo, prevê que o Copom mantenha o juro básico em 19,50% ao ano e o viés neutro até a reunião seguinte, em 6 de outubro. Ainda assim, ele entende que setembro poderá começar com cenário mais positivo, comparado com o quadro de turbulências deste mês, se o governo assumir claramente a disposição de tocar a agenda de reformas econômicas, empacadas no Congresso.
Em seu prognóstico, a inflação, poderá ser descrescente em agosto e ficar entre 0,90% e 1,20%. Mas, como o cenário pode embutir alguma instabilidade, Capelo sugere os fundos DI como a melhor opção de investimento.
Os fundos cambiais, de apelo crescente com os solavancos do dólar, estão carregando elevado risco. O investidor tem perda se o dólar recua, observa Capelo.
Outro especialista, Paulo de Sá Pereira, diretor de Renda Variável também da Lloyds Asset Management, não projeta perspectiva favorável para o mercado de ações até o fim do ano. Ele vê um cenário externo de incertezas. Sá Pereira não se alinha entre os que acreditam na estabilização dos juros norte-americanos, em aceno que teria partido do Fed na semana passada. Os juros já subiram duas vezes este ano e podem manter a tendência, reduzindo a oferta de capitais no mercado internacional e aumentando o custo de captação, para países da América Latina, incluído o Brasil. Segundo ele, nesse caso, a atratividade das ações será pequena e o risco grande até o fim do ano.





