BC define amanhã o novo corte nos juros
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de abril de 1998
Agência Folha 
O governo vai promover amanhã uma nova redução nas taxas básicas de juros da economia, em reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central que ocorre às 16h30. Será a quinta queda nos juros desde novembro passado, depois que a equipe econômica praticamente dobrou as taxas para estancar a fuga de dólares provocada pela crise asiática.
Analistas do mercado apostam que a TBC (Taxa Básica do Banco Central), hoje em 28% anuais, seja reduzida para um número entre 22% e 24% anuais. Essa poderá ser a última ou a penúltima queda nos juros deste ano. Se confirmadas as previsões, o presidente Fernando Henrique Cardoso deverá entrar na campanha eleitoral com uma TBC próxima à vigente antes da crise. Em 30 de outubro, a TBC estava em 20,7% anuais. Nesse dia, a equipe econômica elevou-a a 43,4% anuais.
Os juros influenciam o crescimento da economia e a criação de empregos. Quando as taxas estão altas, a economia tende a crescer menos, com menor oferta de empregos. Juros baixos são associados a maior crescimento da
economia e criação de vagas.
A TBC é uma taxa de juros que o BC cobra em empréstimos de assistência aos bancos. Ela tem influência sobre os juros de toda a economia. Com a TBC menor, deverão cair os rendimentos que bancos pagam aos clientes em aplicações financeiras, como poupança, CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) e fundos de renda fixa.
Em um segundo momento, a tendência é que caiam também os juros cobrados pelas instituições financeiras em crediários, empréstimos e cheques especiais. Essa queda, porém, depende também de fatores como índices de inadimplência e outros custos dos bancos. O ex-presidente do BC Gustavo Loyola acredita que o governo não vá reduzir os juros para um percentual inferior ao que vigorava antes da crise asiática. Esse seria o piso para garantir uma remuneração mínima aos investidores estrangeiros que mantêm dinheiro aplicado no País.


