Agência Estado
De Brasília
O Banco Central decretou ontem a liquidação extrajudicial do Banco Pontual, que estava sob intervenção desde outubro do ano passado. No ato o presidente do BC, Armínio Fraga, justificou a liquidação pela existência de passivo a descoberto e inviabilidade de normalização dos negócios da empresa. Foram liquidados ainda o Banco Martinelli, a Pontual Leasing e a Breeding Participações, empresas controladas pelo banco.
Dois anos antes de sofrer a intervenção por parte do Banco Central, o Pontual adquiriu, com recursos do Programa de Estímulo à Recuperação do Sistema Financeiro (Proer), o Banco Martinelli. Os recursos do Proer, da ordem de R$ 115 milhões, foram mais tarde quitados pelo Banco de Crédito Nacional (BCN), já adquirido pelo Bradesco, que assumiu a parte boa do Pontual na data da intervenção feita pelo Banco Central.
Na ápoca da intervenção, o BC explicou que o Pontual vinha passando por enormes dificuldades, não conseguindo mais captar recursos junto ao público. O prejuízo em 1997 foi de R$ 22 milhões. O BC também admitiu, na época, que os problemas do Pontual foram agravados pelo seu envolvimento na CPI dos Precatórios, o que afetou a credibilidade.
De acordo com o relatório da CPI dos Precatórios, que procurou apurar as irregularidades praticadas no mercado financeiro na intermediação de títulos públicos, o Pontual teria lucrado na chamada cadeia da felicidade – um esquema organizado para as instituições ganharem dinheiro negociando papéis entre si. O Pontual tinha sede em São Paulo, sete agências no País e uma no exterior.

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