BC decide reduzir juros para 39,5%
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segunda-feira, 05 de abril de 1999
Agência Folha 
O Banco Central anunciou ontem a redução, a partir de hoje, da taxa de juros de 42% ao ano para 39,5%. O anúncio foi feito no começo da noite, no Rio, pelo diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo. Foi a segunda redução dos juros nas últimas duas semanas.
Figueiredo disse que a nova redução foi feita porque a inflação tem se comportado bem, e os índices estão sistematicamente abaixo das expectativas. A tendência da inflação é a nova âncora adotada para balizar as decisões de política econômica do governo. A realidade tem se mostrado menos perversa do que o sistema estava projetando, disse.
A decisão de reduzir os juros foi tomada pelo presidente do BC, Armínio Fraga, usando a atribuição que lhe foi conferida pelo Copom (Comitê de Política Monetária do BC) na sua última reunião.
O Copom criou um viés de baixa na tendência da taxa de juros, dando ao presidente do BC a autoridade para decidir sozinho pela redução da taxa sempre que entender que ela é viável. O Copom fixou a taxa em 45%, e ela foi reduzida depois para 42%.
A redução é válida para a taxa Selic, que mede o custo do dinheiro do BC para o sistema bancário. Figueiredo disse ser possível que a taxa média de juros deste ano fique abaixo do parâmetro de 28,8% usado no acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional).
A próxima reunião do Copom está marcada para o dia 14 deste mês, mas Figueiredo não quis fazer previsão sobre uma possível nova redução da taxa Selic. De acordo com ele, na sua nova estratégia de acompanhar os índices de inflação, o BC está mais preocupado com os preços ao consumidor.
O último índice de preços no varejo divulgado foi o IPC (Indice de Preços ao Consumidor) da Fundação Getúlio Vargas. Em março, o IPC foi de 1,19%. O diretor do BC disse que a realidade está mostrando que a alta dos preços no atacado, registrada especialmente em janeiro e fevereiro, não está sendo repassada integralmente para o varejo. Para a FGV, a recessão é que está impedindo o repasse.
O governo já decidiu que a medição da sua meta de inflação será feita com base em um índice de preços ao consumidor, mas ainda não definiu qual será esse índice.
O diretor de Pesquisa Econômica do BC, Sérgio Werlang, está coordenando os estudos para a definição do índice oficial. Ele poderá ser um dos já existentes ou outro a ser criado especialmente para isso.


