POLÍTICA MONETÁRIA
BC da Inglaterra aumenta as
taxas de juros para 6%
Arquivo FolhaSEM PRESSATony Blair, primeiro-ministro britânico: conduta de cautela diante da zona do euro. A libra está entre 20% e 35% acima da taxa de câmbio realista, de acordo com a maioria dos modelos econômicos

Nicholas Leonard
De Londres

O Banco da Inglaterra decidiu ontem aumentar novamente a sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual. As taxas básicas chegaram a 6%, contra 5,75% nos Estados Unidos e 3,25% nos 11 países que compõem a zona do euro. Com a alta, o comitê de política monetária britânico desafiou a forte pressão pela manutenção dos juros, vinda dos industriais e do setor de varejo.
Os preços dos produtos das fábricas britânicas e do comércio do país vêm sendo mantidos sob controle devido à forte pressão competitiva, por causa do vigor da libra esterlina nos mercados de câmbio e devido à maior transparência que surgiu nos mercados. A transparência tem sido atribuída ao desenvolvimento de transações via Internet, que permitem acesso mais fácil aos dados de mercado.
Perigo inflacionárioEm contraste, porém, o dinamismo do setor de serviços da economia – que agora domina os números do Produto Interno Bruto (PIB) do País – conduziu a uma pressão de alta nos salários. Seu impacto também foi visto na disparada de preços das habitações.
O início de novas construções residenciais nos três meses até dezembro aumentou 3%, considerados os ajustes sazonais, enquanto os preços das unidades habitacionais existentes e novas subiram 13% nos últimos 12 meses em todo país. Algumas regiões, como as áreas florescentes do sudeste da Inglaterra, puxaram a elevação.
Expectativa do mercadoOs operadores de mercado em Londres antecipam que a taxa básica de juros do país vai subir ainda mais, para 6,5% ou 6,75%, durante o ciclo atual de política monetária severa. O euro foi negociado a 99 centavos de dólar, com uma ligeira perda de valor depois do anúncio de um superávit comercial inferior ao esperado para a Alemanha em dezembro. Um fator crucial de curto prazo são as negociações do contrato coletivo de trabalho dos metalúrgicos na Alemanha. As negociações com o IG Metall, o maior sindicato do setor, foram temporariamente suspensas.
Adesão ao euroO Reino Unido está esperando a economia do euro dar certo para decidir sua posição. Há setores muito favoráveis e outros abertamente contrários à adesão do Reino Unido à moeda única.
Na França, Christian Sautter, o ministro das Finanças, anunciou que a economia do país teria crescimento superior a 3% em 2000, e que o euro seria uma moeda forte. A mais recente pesquisa de opinião pública do Gallup na Dinamarca mostra um aumento do ceticismo quanto à adesão do país ao euro. Agora, há um empate em 46% entre os dinamarqueses favoráveis e contrários à idéia.
Tony Blair, primeiro-ministro britânico, tem adotado uma conduta de cautela diante da zona do euro. Com base nos indicadores atuais, a convergência do Reino Unido parece distante. A libra está entre 20% e 35% acima da taxa de câmbio realista, de acordo com a maioria dos modelos econômicos. O Reino Unido, por enquanto, preocupa-se com a sua economia.

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