O Banco Central criou ontem um título público, vinculado à cotação do dólar no mercado de taxas flutuantes. O novo papel procura transmitir ao mercado sinais de que não haverá mudanças no atual sistema de câmbio. ‘‘O novo título confirma a intenção do governo de manter os mercados funcionando normalmente, sem qualquer artificialismo. Nossa política cambial é sólida’’, disse o diretor de Política Monetária do BC, Francisco Lopes, por meio da assessoria da instituição.
O novo título foi batizado de NBC-F (Nota do Banco Central, Série Flutuante) e oferece proteção aos investidores contra eventuais mudanças no sistema de câmbio. O BC garante aos compradores do papel que, além de juros definidos em leilão, pagará no vencimento a variação do dólar no mercado flutuante.
Ainda não está definido quando ocorrerá o primeiro leilão. Nos últimos dias, especulava-se no mercado financeiro que o BC iria promover mudanças no flutuante para tentar cessar a saída de dólares do País. Normalmente é pelo flutuante que o capital especulativo abandona o País quando há crises. O mercado oficial de dólares é dividido em dois segmentos: o de taxas livres e o de taxas flutuantes.
No mercado livre, são fechadas operações de comércio exterior e de investimentos, como aplicações em renda fixa, bolsas e capital dirigido à produção, como instalação e compra de empresas. O mercado de taxas flutuantes opera com dólares para turistas e com o mercado interbancário, também conhecido por contas CC-5. Esse é um mercado que permite a fácil remessa de capitais.
Só na última sexta, US$ 1,8 bilhão abandonou o País pelo flutuante. O mercado cogitava que, para inibir novas saídas, o BC promoveria uma desvalorização do flutuante, segurando apenas a cotação do segmento de taxas livres. Também se receava uma eventual extinção do flutuante. Com a NBC-F, o governo fornece um sinal de que não pretende desvalorizar o flutuante, pois arcaria com o prejuízo de pagar maior remuneração.
Além disso, garante aos investidores uma porta permanente de saída de dólares. O mercado também receava uma possível taxação com IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) no flutuante, para inibir remessas. Nesse caso, entretanto, a NBC-F não oferece nenhuma proteção, embora sinalize que o BC não pretende mexer no flutuante. ‘‘O BC está dando um instrumento de ‘‘hedge’ (proteção) semelhante à NBC-E, para atingir um público específico. Significa que não haverá mudança na política cambial’’, disse o presidente do BC, Gustavo Franco.
BolsasOntem, em meio a rumores de que o saldo cambial no dia teria sido negativo entre US$ 1,600 bilhão e US$ 2 bilhões, pela soma das movimentações nos câmbios comercial e flutuante, o Banco Central promoveu um frustrado leilão informal de venda de Bônus do Banco Central (BBCs). Houve recusa de todas as propostas de taxas, entre 34% e 46%, formuladas pelos bancos. A Bolsa de São Paulo fechou o pregão com uma desvalorização de 2,78%. A Bolsa de Nova York teve baixa de 1,94%.

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