BC crê e mmelhora da economia no segundo semestre
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quinta-feira, 28 de junho de 2012
Eduardo Cucolo, Fernando Nakagawa e Célia Froufe <br> Agência Estado 
Brasília - O diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Carlos Hamilton Araújo, afirmou que a nova previsão da instituição de crescimento da economia brasileira de 2,5%, divulgada ontem, contempla um cenário de recuperação, que já está ocorrendo, e destacou que, no segundo trimestre deste ano, a taxa de crescimento foi maior que no primeiro trimestre.
Ele admitiu que a expansão da atividade de janeiro a março de 0,2% ''não foi boa''. ''Foi menor do que esperávamos. Por outro lado, a projeção mostra cenário em que a economia está crescendo mais no segundo trimestre e, mais ainda, no segundo semestre'', afirmou. Segundo ele, as incertezas na economia internacional tornam mais difícil para a instituição e demais agentes fazer projeções. Por isso, as revisões têm sido mais frequentes e maiores.
Disse ainda que a economia cresceu menos que o esperado e a recuperação tem sido bem gradual. ''Por isso, revisamos o PIB. Certamente, o ambiente externo pesa.''
Apesar disso, o BC está otimista em relação ao desempenho da economia, em razão das medidas já tomadas de incentivo ao crescimento, como redução de juros, corte de IOF e mudança no nível do câmbio.
Ele destacou a confiança dos consumidores, que é ''um aspecto importante na visão de qualquer empresário''. Araújo lembrou que a confiança das famílias segue em patamar historicamente alto. O mesmo acontece no setor de serviços.
Mercado de trabalho
O diretor do BC salientou ainda que o mercado de trabalho brasileiro segue resistente à crise internacional. ''Um mercado de trabalho modelando pouco é diferente de ter mercado de trabalho fraco'', disse o diretor. Para ele, conforme a economia for reagindo, no segundo semestre deve haver uma resposta significativa do mercado de trabalho, conforme sinalizam os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). ''O mercado de trabalho é o último que reage e, se nosso cenário se confirmar, não devemos esperar uma fragilização do mercado de trabalho'', previu.
Crédito
Araújo rechaçou a hipótese de que o mercado de crédito brasileiro esteja passando por qualquer deterioração. ''Não há qualquer elemento que justifique um problema no mercado de crédito no Brasil'', considerou. ''Estamos em um momento ruim, mas a tendência é melhorar, as taxas têm recuado'', considerou.
Para ele, o crédito habitacional subiu nos últimos anos e isso explica um aumento do endividamento maior das famílias brasileiras. ''Isso faz com que a família também se livre do aluguel, é empréstimo de longo prazo'', justificou.
Ele acrescentou que a tendência do comprometimento da renda é ''claramente declinante''. ''O endividamento é de cerca de 43%, mais baixo do que em outras economias com o mesmo estágio de desenvolvimento do Brasil'', comparou. ''O comprometimento de renda das famílias recuou para 22,1% em abril e estamos antecipando um novo recuo das taxas em junho'', continuou.
Para 2013
Além de rever para baixo a previsão de crescimento da economia em 2012, o Banco Central deu sinais de que 2013 será um ano de atividade mais forte, mas não tanto quanto o esperado anteriormente. Araújo afirmou que as previsões do mercado para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de vários países mostram que a expansão da atividade em 2013 deve ser maior que em 2012.
Hamilton destacou, no entanto, que as estimativas para o próximo ano têm sido revisadas para baixo. ''Prevalece uma visão de recuperação em 2013, mas a intensidade dessa recuperação tem sido revista para baixo'', disse.



