BC conta com demanda interna para crescimento
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sexta-feira, 03 de agosto de 2012
Fábio Galiotto <br> Reportagem Local 
O Banco Central informou ontem que a perspectiva para o segundo semestre é de recuperação da economia, principalmente pela demanda interna, motor considerado capaz de ter esse efeito, segundo economistas ouvidos pela FOLHA. O Boletim Regional da institução, apresentado em Salvador (BA), aposta na intensificação do crescimento com base nos efeitos das ações políticas recentemente implementadas, como a redução da taxa de juros em 4,5% no País para o recorde de 8%.
Mesmo assim, especialistas dizem que a intenção é válida, mas que é preciso continuar com ações para fomentar o setor, que tradicionalmente fica aquecido no segundo semestre de cada ano. O professor de economia Azenil Staviski, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), diz que a cautela sempre é necessária ao consumidor, mas que a reposição de estoques para as compras de fim de ano pode interferir no mercado de trabalho. ''É possível, porque o momento é proprício para investir, porque as taxas de juros caíram.''
Staviski cita que o País tem uma demanda interna significativa pelos quase 200 milhões de habitantes. Ele lembra que a queda no consumo dos últimos meses do primeiro semestre do ano é comum. ''Muitos consumidores querem quitar dívidas e se preparar para o fim de ano'', conta.
O professor de macroeconomia Antonio Nogueira, também da UEL, mostra estar mais cauteloso. Ele diz que há boas possibilidades no segundo semestre, como o início da movimentação das safras agrícolas, com demanda por insumos e maquinário. O pagamento do 13º salário, além de datas comerciais como o Dia das Crianças e o Natal, também ajudam, mas ele pede atenção dos consumidores. ''As pessoas tentam conter as dívidas, então não ficaria otimista demais'', afirma.
Nogueira acredita que um bom negócio para quem está endividado seja renegociar os débitos. Ele cita como possibilidade os empréstimos com juros menores de hoje, como os da Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, para encerrar dívidas de cartão de crédito, que têm taxas altas. ''Assim, seria possível usar o 13º salário para gastos no fim do ano, ou a economia não se movimenta como esperado no fim do ano.''
O movimento no comércio varejista já apresenta bom crescimento no ano, segundo o Indicador Serasa Experian de Atividade no Comércio. A taxa chegou a 11,3% em julho, a maior elevação desde dezembro de 2010. Em relação a junho último, porém, o aumento foi de 1,3%.
Crédito
O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, disse ontem, em Salvador, que a instituição consultou executivos de instituições financeiras, que acenaram com condições de créditos um pouco melhores para o terceiro trimestre do que nos últimos três meses. Mesmo assim, ele disse que a oferta ainda será um pouco restritiva.
A maior facilidade deve ser para empresas maiores, mas a perspectiva de melhora do BC também deve ter efeito positivo para micros e pequenas empresas, além de pessoas físicas. ''À medida que o tempo passa, é natural que ocorra moderação da taxa de juros nas concessões de crédito'', disse o diretor do BC.
Nogueira diz que, com esse cenário de incentivo, o Produto Interno Bruto (PIB) deve bater a previsão do BC. ''Se evitar que a produção industrial caia, deve ficar em 2,5% a 3%.'' (Com agências)


